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        <title>Assim Falhou Zaratustra</title>
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        <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 22:26:32 -0300</pubDate>
        
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            <title>Escrito um mês atrás</title>
            <pubDate>Wed, 01 Jul 2009 22:26:32 -0300</pubDate>
            <description>Se crias um mundo,
a ti parecerá belo
no início

Porque os inícios são
belos
e empolgantes
como o início de um dia
como os inícios
dos anos

Se crias um mundo
e te refugias nele
das verdades do outro
mundo

A ti será conveniente
mas com a conveniência
vem também a falta de vontade
e com ela
o fim

Se crias um mundo,
crias também
teu próprio ocaso&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/3zKtWhbvYB0" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>I valori nascosti</title>
            <pubDate>Sun, 28 Jun 2009 14:52:13 -0300</pubDate>
            <description>Il giorno
dappertutto la confusione
il vento e la pioggia
che mi fanno vedere
cosa c’è e cosa c’entra

Il fiume -
lo vedo tutti i giorni
- il fiume mi ricorda
chi sono
Uno specchio che corre
verso il mare

L’angoscia è il vivere,
è la voglia, è l’essere sveglio
La prima nota musicale del giorno
non si sente,
il primo colore non si vede,
il meglio profumo
non vuol dire
niente

Cascato dal cielo
viene giù
il giallo

Pensare non è più una scelta.

Nel dubbio dell’esistere,
tra la croce e la spada, 
il mondo sparisce.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/bEQ0LVcVgq4" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Na madrugada...</title>
            <pubDate>Sat, 27 Jun 2009 00:13:56 -0300</pubDate>
            <description>To tentando ultimamente achar algum escritor italiano contemporaneo bom. Uma tarefa realmente difìcil, visto que atè agora nada. Excluo pela obviedade (nem sei se existe isso) Umberto Eco. Falo de escritores bons mas desconhecidos fora do paìs.

A verdade afinal è outra e diversa. 

A verdade è que nao leio mais. Nestes 3 ultimos dias trabalho de madrugada (das 23h30 atè 7h30) e tento dormir o resto do dia, sem muito exito. 

A verdade è que quanto menos leio, menos vontade de ler e de escrever tenho. A internet è a semente do apocalipse. Aguarde e confire, como jà diria o grande filosofo pòs moderno Didi Mocò.

As verdades, na verdade, sao muitas. Uma delas (ou uma das faces de uma delas) diz que estou trabalhando agora, embora nao. Mas, no entanto, sim.

As verdades sao complexas. E, quando distorcem os fatos, sao tambèm convexas.

O fato è: 5h da manha, daqui a 2h30 vou pra casa dormir e descansar, porque o sabado serà longo e penoso e a insanidade virtual è euro, mas nao è real.



Me nego a aceitar esses trocadilhos baratos.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/mQig-MwQpQM" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Soluçao para a calvìcie</title>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2009 23:18:18 -0300</pubDate>
            <description>Parar de assistir aos jogos do Gremio.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/cyZcsK3VZhg" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Simultaneidade</title>
            <pubDate>Mon, 22 Jun 2009 16:54:27 -0300</pubDate>
            <description>"- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta."

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090622-mario-quintana.jpg" width="300" height="339" alt=" " title="" /&gt;


Mario Quintana&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/xdplWSAV-Ic" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Cheguei!</title>
            <pubDate>Thu, 18 Jun 2009 07:56:59 -0300</pubDate>
            <description>Cheguei na tao comentada Eslovaquia! 

Enquanto espero a hora de fazer o check-in aqui no albergue, escrevo essas breves linhas que nao sei quando tornarei a escrever, ja que a partir de hoje è correria.

Depois de 1h20 de voo (o equivalente a ir de Londrina a Maringa de carro, com uma parada pra ir no banheiro), saì da Italia, sobrevoei parte da Croacia (eu acho, ou talvez seja a Eslovenia, nao me exijam exatidao nessa hora), Austria e, por fim Eslovaquia.

O pessoal aqui, quando fala ingles, fala mal. Vai ser um belo desafio, mas o que è isso pra quem jà ficou trabalhando como caixa de banco, sozinho, ao meio-dia numa terça quando segunda é feriado? Vai ser fichinha...

Agora devo arrumar minhas coisas, comer uma comida tìpica eslovaca e fazer um giro ao redor do centro historico. O dia apenas começa e minhas mini-fèrias tambèm.

See you! (ainda nao aprendi a dizer atè logo em eslovaco...)&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/FTjxBoy8Gz4" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Como já diria o sábio eslovaco...</title>
            <pubDate>Mon, 15 Jun 2009 19:09:20 -0300</pubDate>
            <description>"Ten významný vec byť čo znamenať"


("O importante é o que importa". Mais ou menos isso)&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/ZyNJjePokR8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Eslovacos famosos </title>
            <pubDate>Sun, 14 Jun 2009 11:13:14 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090614-neanderthal.jpg" width="220" height="242" alt="Slovenska!" title="Slovenska!" /&gt;

Não é difícil admitir que uma bicicleta faz falta na sua vida quando ela é o seu único meio de locomoção além dos seus próprios pés. Hei de comprar uma nova nos próximos dias. Nova, não. Usada.

Hoje finalmente comecei a procurar algum eslovaco famoso pra poder citar a vocês. Descobri que Andy Warhol é filho de eslovacos. Mas ainda não era isso o que eu procurava. Depois, descobri que o inventor do pára-quedas era um eslovaco chamado Stefan Banic, que vivia nos EUA. Além dele, Josef Karol Hell criou a bomba d´água. Não, nenhum desses é conhecido, somente suas invenções. O maior jogador de futebol eslovaco de todos os tempos chama-se Lubomir Moravcik, que defendeu a antiga Tchecoslováquia e, logo após, a seleção Eslovaca. Ludovit Stur é para a Eslováquia o que Dante representa para a Itália: o “criador” do idioma. 

Confesso que já estava decidindo citar o homem de neanderthal como o mais famoso eslovaco (foi achado um crânio na cidade de Ganovce, que data de 200 mil A.C.), quando um nome me soou familiar, mas não me lembrava de onde: Alexander Dubcek.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090614-dubcekwarhol.jpg" width="298" height="450" alt="Alexander Dubcek estilo Andy Warhol" title="Alexander Dubcek estilo Andy Warhol" /&gt;

Nascido em Uhrovec em 1921, Dubcek foi um grande líder político da extinta Tchecoslováquia. Quando havia quatro anos sua família mudou para a União Soviética, retornando em 39. Aderiu ao partido comunista clandestino, fez parte da resistência antinazista e, depois, antisoviética. Ocupou vários postos políticos importantes até ser eleito presidente do parlamento tchecoslovaco em 89, depois da queda do regime comunista. Morreu em um acidente de trânsito cujas causas nunca foram totalmente esclarecidas.

Durante sua trajetória, liderou o movimento que historicamente ficou conhecido como Primavera de Praga quando, em 68, propôs um “socialismo de vulto humano”, ou seja, propunha maior liberdade de expressão e criação de outros partidos além do comunista, mantendo outrossim o sistema econômico soviético. Para a antiga URSS, isto foi uma afronta e, em 20 de agosto de 68, entre 200 e 600 mil soldados invadiram Praga (então capital da Techocoslováquia, atualmente da Rep. Tcheca). A partir daí começou uma evasão em massa de habitantes para países ocidentais.

Bela história, e um grande personagem. Obviamente falo de Dubcek, muito embora não fosse o homem de neanderthal, você não estaria lendo este relato hoje, e eu não planejaria essa viagem maluca. Pelo menos uma pessoa nascida na Eslováquia é relativamente conhecida. O que demonstra que o povo eslovaco não tem muitas pretensões, a não ser viver humildemente o que alguns chamam de vida.

Nesta minha busca, achei um dicionário online de eslovaco (obviamente traduz do inglês) e comecei a pesquisar as palavras de sobrevivência. Por exemplo, cerveja em eslovaco chama-se &lt;bold&gt;pivo&lt;/bold&gt;; bêbado é &lt;strong&gt;opilec &lt;/strong&gt;(terá a palavra pileque em português origem eslava?); garota é &lt;strong&gt;dievča &lt;/strong&gt;e bela é &lt;strong&gt;krásny &lt;/strong&gt;(bela garota deve ser &lt;strong&gt;krásny dievča&lt;/strong&gt;, ou o inverso) e dormir é &lt;strong&gt;spať&lt;/strong&gt;. O que mais me impressionou foi a capacidade dos eslovacos em colocarem um acento na letra T, e apesar da minha imaginação fértil, não está sendo fácil entender como é a pronúncia de tal aberração.

Pra quem nunca escreve nada, confesso que hoje foi um dia proveitoso. Até a próxima aula de cultura eslovaca.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/9_c_2fVnwpg" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Špitálska</title>
            <pubDate>Fri, 12 Jun 2009 19:13:29 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090612-flag_slovakia.jpg" width="368" height="227" alt="Slovenská Republika" title="Slovenská Republika" /&gt;

Muito trabalho, muito trabalho... Mas a vida continua e a viagem não pode ser adiada, pois já comprei as passagens, então vamos avante.

Como já dito no post precedente, ficarei num albergue situado na rua Spitalska. Hoje, além de vários mapas e guias em PDF, encontrei uma boate muito boa, situada ali perto, na rua Venturska, esquina com a Panska.

Aos poucos to começando a me habituar com a escrita do eslovaco, que descobri hoje tratar-se de uma das várias línguas de origem eslava. Embora eu não tenha a menor idéia de como pronunciar as letras, acho que não encontrarei dificuldades.

Isso é que é ser otimista.

Falando em eslavos mas mudando de assunto, a atual República Eslovaca, mais conhecida como simplesmente Eslováquia (cuja forma de governo é a república parlamentarista), faz parte de uma área chamada Europa Central, que normalmente inclui também Áustria, Republica Tcheca, Alemanha, Hungria, Liechtenstein, Polônia, Eslovênia e Suíça. Digo “normalmente” porque há divergências entre vários autores da sua abrangência. E porque também não quero dar informações precisas a ninguém, já que não tão me pagando pra isso.

O país possui pouco mais de 5 milhões de habitantes, sendo que a capital Bratislava (que não fica em Cambé, não custa reforçar aos leitores) tem algo em torno de 500 mil habitantes. Essa mesma capital é cortada pelo famoso rio Danúbio, segundo maior rio europeu depois do Volga (que faz parte da Russia). Em eslovaco o rio é chamado de Dunaj, possui 2850 km de extensão, nasce na Alemanha, passa por quatro capitais da Europa central e oriental (Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado) e 10 países no total. Desemboca no mar Negro, pelo Delta do Danúbio, situado na Romênia.

Eu tenho uma certa fixação por rios. Pensando bem, pela água em geral. Talvez porque desde pequeno tenho freqüentado locais afins (é documentada minha primeira visita ao mar com 8 meses – minha mãe me corrige se estou errado), e cresci às margens do rio Fiúza em Panambi, com visitas freqüentes ao açude no sítio do meu falecido avô. Talvez por isso, toda cidade que eu passo, fotografo os rios, o mar ou senão uma torneira aberta.

Por esta razão, nessa minha viagem, terei fotos do rio Danúbio tiradas em Bratislava e também em Viena (Assim como já tenho do rio Arno em Florença e em Pisa). Falando em Viena, e sem mudar de assunto desta vez, não sei porque (ou talvez saiba e estou com preguiça de escrever) quando falo em Áustria a imagem que se forma pelo menos no meu cérebro não é tão abstrata como quando falo Eslováquia, embora meu conhecimento sobre ambos países seja quase igual, ou seja, quase nada. Sim, é óbvio que se ouve falar muito mais da Áustria durante nossa vida, dos grandes impérios que dali surgiram (Carlos Magno, os Habsburgo, Austro-Húngaro que me lembro agora), a dominação alemã na segunda guerra (afinal Hitler nasceu ali), os músicos, intelectuais (Freud entre eles)... enfim, esqueçam o que eu disse.

A verdade é que ainda não encontrei nenhum personagem conhecido nascido na Bratislava (já to querendo começar a estender a busca pra Eslováquia inteira). Embora também não tenha procurado muito. Se fosse a República Tcheca já diria, sem pensar, Franz Kafka e um outro cara gente boa chamado Milan Kundera. Mas sei que o presidente eleito este ano chama-se Ivan Gasparovic e o primeiro ministro, Robert Fico.

Guardem esses nomes.


PS.: todas as informações desse post foram retiradas da Wikipédia. Mas depois que um &lt;a href="http://caderno.josesaramago.org/2009/06/12/corpo-de-deus-2/"&gt;Prêmio Nobel de Literatura&lt;/a&gt; confessa seu uso nós, pobres mortais, estamos absolvidos (atenção atenção estudantes de jornalismo, liberado!)&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/8bHmQwthc9E" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>De Cambé a Bratislava</title>
            <pubDate>Wed, 10 Jun 2009 15:26:03 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090610-bad-choice.jpg" width="412" height="291" alt="hope not" title="hope not" /&gt;

Confesso minhas pretensões e minha frustração. Quando decidi vir à Europa pensei logo que um belo modo de me autodivulgar seria colocar minhas peripécias no velho mundo neste esquálido blog (porque todo blog nada mais é que um veículo de comunicação chapa branca de você mesmo, ainda que, como eu mesmo às vezes faço, vezemquando tentemos dissimular isso com variadas artimanhas).  

Mas o mundo gira e acabei me distanciando dos objetivos originais do blog e, relendo meus mais recentes artigos, percebi que minha escrita do português e minha paciência pra revisar textos se perderam pelo caminho, como os fios de cabelo que, ausentes em minha cabeça, me assustam a cada vez que me vejo defronte o espelho.

Cada viagem que eu fazia, como para Barcelona, Padova, Torino, Roma, ou mesmo a pequena tour de uma semana pela Toscana, planejava o que escrever, que fotos pôr, todas essas coisas – mas isso durante a viagem. Depois, descansando em casa, simplesmente tudo sumia, e quando saía, era ridículo. A repetição desses erros me fizeram pensar e, pensando, resolvi então mudar de estratégia. A próxima viagem, daqui a exatamente oito dias, começa a ser relatada agora, na sua preparação, decerto porque é a única que precisa realmente de preparação, por ser uma destinação incomum.

Num belo dia do final de maio recebi o meu horário de trabalho no hotel para o mês de junho e, para minha surpresa, haviam quatro dias livres seguidos. Não pensei duas vezes e me mandei pro site de uma companhia de vôos low cost pra ver as promoções. E decidi enfim ir pra Bratislava. Que não fica em Cambé (muito perto de onde eu morava por sinal), mas sim na Eslováquia, que desta é ainda capital e maior cidade, onde nasceram grandes personalidades como... como... não importa. Importa que estava barato e ainda que a dita cidade fica a 1h de trem de Viena, capital austríaca, cidade de grandíssimo valor cultural na Europa.

Acabei de reservar o hostel onde vou ficar e ao ver os endereços no Google maps, me deparo com ruas como Špitálska, Stefanovicova, Vazovova e por aí vai. Torço que alguma boa alma da cidade fale inglês, pelo menos a moça das informações turísticas, porque senão estou perdido. Meu consolo é que o eslovaco é uma língua onde ainda existem vogais e tudo leva a crer que se pode pronunciá-las.

De hoje até o dia 18 procurarei pesquisar um pouco sobre as culturas eslovaca (todos vocês também sabem que a história eslovaca se mistura com a tcheca, com trocadilho incidental) e austríaca, estudar os mapas e, com grande ajuda da Wikipedia, poderei citar a vocês algumas das grandes personalidades nascidas em Bratislava. Que não fica em Cambé.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/b7Vz4JP8Ng8" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Comunicação, Saramago e outros esquecimentos</title>
            <pubDate>Tue, 09 Jun 2009 13:56:33 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090609-saramago.jpg" width="332" height="421" alt="" title="" /&gt;

Não é nenhuma novidade que deixei a comunicação de lado há alguns anos. Pelo menos na prática, ou seja, no desejar trabalhar com comunicação-jornalismo. A verdade é que vivemos (eu e a comunicação) uma relação conflituosa, de altos e baixos, porradas e sentimentos afetuosos. Amor e ódio na proporção exata que rende desprezo mas ao mesmo tempo evita o completo esquecimento.

E por esse desprezo (talvez uma inveja disfarçada) em relação à comunicação, mesmo longe, muito longe dela, ainda acompanho seus passos. Tanto que até hoje recebo em meus emails informativos que comecei a me interessar no auge da minha empolgação com a referida área, portanto, entre 2001 e 2003.

Não é nada de extraordinário, mas interessante. Semanalmente chegam a mim alguns emails que normalmente nem os leio, simplesmente deleto, embora por alguma razão que desconheço não faço o mais simples, que é me descadastrar nos respectivos sites.

E hoje, numa de minhas folgas no hotel, logo depois de ler mais dois dos inúmeros capítulos de “O pêndulo de Foucault” do Umberto Eco (no original, em italiano), e um pouco antes de jogar minha segunda partida de futebol na Itália, eis que, senão quando, entro em meu email e vejo o já antigo conhecido Observatório da Imprensa como mensagem não-lida.

Mas ao invés de sumariamente mandá-lo ao purgatório da lixeira, por razões ocultas resolvi abri-lo e vejo como chamada uma coluna do Alberto Dines, que não pude abrir sem antes fazer uma piadinha comigo mesmo “mas ele ainda ta vivo?”, &lt;a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=541JDB001"&gt;artigo esse&lt;/a&gt; que trata das fotos de Silvio Berlusconi com várias mulheres peladas em sua mansão. Como afinal eu moro no país que o tal governa, resolvi lê-lo. No final me deparo com uma surpresa: um pequeno escrito de José Saramago retirado do blog do autor. A empolgação em saber que o Saramago tem um blog foi mais rápida que meu humor negro e não tive tempo de perguntar-me se ele ainda estava vivo, fui direto ao link e eis o blog: &lt;a href="http://caderno.josesaramago.org/"&gt;O caderno de Saramago&lt;/a&gt;, alusão a uma de suas obras, “Cadernos de Lanzarote”, que infelizmente ainda não li.

E por causa das desrazões da comunicação, que por conta de um artigo sobre o Berlusconi descobri o blog do Saramago, adio por mais uma vez meu post sobre a partida Itália 3x0 Irlanda do Norte, que eu vi, ao vivo, aqui  em Pisa, e em seu lugar adiciono o link do Saramago ali ao lado, que li apenas um post (no clássico estilo Saramaguiano, com profusão de vírgulas e economia de pontos), mas que deve ser bom pacas. Sem contar o artigo em que comenta exatamente sobre o Berlusconi. Infelizmente inócuo, pois nas eleições européias o Premier se deu bem. Mas enfim...

Aproveito a oportunidade e convido os meus quase nulos leitores a indicar eventuais blogs de outros escritores nos comentários, para a bem-aventurança de todos que se interessam.

Até a próxima.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/Mx4StmG-ngA" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Criminalidade na Italia</title>
            <pubDate>Sun, 07 Jun 2009 14:34:28 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090607-me-and-my-bike.jpg" width="492" height="654" alt="Eu, minha mochila e minha finada bicicleta, em Cecina" title="Eu, minha mochila e minha finada bicicleta, em Cecina" /&gt;

Eu ia escrever sobre o jogo da Italia, mas deixarei para um pròximo post. Resolvi falar sobre um tema que aflige a sociedade moderna (e provavelmente hà muito tempo acontece) que è a criminalidade.

Os crimes na Italia existem, è òbvio, mas sao incomensuravelmente mais "light" que os brasileiro. Aqui o pessoal deixa as Mercedes, Alfa Romeos, Audis e todo e qualquer tipo de carrao na rua (e aqui carrao è comum, nao è ostentaçao) e ninguem os rouba. A maioria tem GPS e cd, que permanecem intocados, atè o retorno do seu dono, no dia seguinte.

Dificilmente tambèm alguèm vai te apontar uma arma por causa do teu tenis novo da nike, ou do teu celular de ultima geraçao. Me lembro de um dia que fui ao mercado, quando ainda morava em Cecina, e um dos mendigos que esmolava por ali mexia em seu celular cheio de comando e efeitos. Aqui os mendigos tem o celular melhor que o meu! 

Os caixa automaticos sao todos na rua. Nao existem cabines individuais, como no Brasil. Imagino que a policia local deve impor um pouco de medo aos meliantes, coisa que hà muito nao ocorre no Brasil. Mas nao vou enveredar pelo perigoso caminho da anàlise històrica da inépcia policial brasileira. Meu objetivo é apenas o relato.

Mas os crimes acontecem aqui. Ontem mesmo fui roubado. Dei uma de europeu obviamente. Se tivesse pensado como brasileiro nada disso teria acontecido. Saindo do jogo fui tomar umas com o pessoal, e ao invès de deixar minha bicicleta no hotel onde trabalho, resolvi deixà-la na rua, como jà fiz algumas vezes, com o cadeado preso num cano de ferro. No meu èbrio retorno, encontro apenas o cadeado, que os ladroes deixaram pra eu ter certeza que ela tinha sido roubada e eu nao havia me enganado de rua.

Pois è: aqui eles roubam bicicletas. Aqui entenda-se a Toscana, que è onde moro.

Confesso que depois de 9 meses com a mesma bicicleta sem freios eu ja tinha me apegado um pouco, tantas idas ao supermercado, tantas idas à praia, sol e chuva, verao e inverno, e o primeiro jogo de futebol na Italia. Assim como no Brasil eu tinha um certo afeto ao meu Ford Ka com piloto automatico, minha bicicleta ja estava começando a saber o caminho do trabalho de cor. A bicicleta sem freios com piloto automatico.

Provavelmente depois que virem que os freios dela nao funcionam, devem largà-la por aì. Ou serao atropelados, os malditos. Nao importa.

Agora tenho o dia de amanha pra tentar encontrar uma. De preferencia bem mais barata e mais velha, que nao suscite o desejo de ninguèm de roubà-la, mas que sirva para me locomover pelas vielas medievais pisanas. Desta vez com freio, de preferencia.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/PtYD-wFfpBU" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Rapidinha</title>
            <pubDate>Sat, 06 Jun 2009 06:41:09 -0300</pubDate>
            <description>Estou saindo agora de casa pra trabalhar e em seguida vou pro estàdio de Pisa assistir a Itàlia x Irlanda do Norte, ùltimo amistoso da Nazionale antes da Copa das Confederaçoes.

Amanha coloco algumas fotos e conto como foi o jogo. Atè porque depois do jogo è hora de ir pra notte italiana...

Arrivederci!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/sGsoujxwBrw" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Depois de 9 meses...</title>
            <pubDate>Sun, 31 May 2009 18:43:18 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090531-bl-pl-fotos-flagrantes-esportes-bola-no-rosto-futebol-01.jpg" width="644" height="557" alt="Matou no olho!" title="Matou no olho!" /&gt;

Não, ainda não nasceu meu filho. Mas depois de 9 meses, finalmente joguei um futebolzinho e pra variar, meu esperado retorno aos gramados acontecerá já com um campeonato mundial, com equipes de vários países se enfrentando, em 4 grupos, e depois um mata-mata até a final.

Confesso que fiquei feliz com a minha performance, e pra quem não joga há tanto tempo, agüentei bem a partida que durou uma hora.

O problema aqui na Itália em relação ao futebol são dois. Primeiro, não tão acostumados a jogar futsal (ou seja, é raro encontrar uma quadra e também por causa disso a habilidade deles não é como a nossa, pois o que desenvolve, na minha opinião, é o futsal, e brasileiro nasce jogando em quadras), e não têm tantos campos com grama, que é onde eu costumava jogar no Brasil. Jogamos pois numa porcaria dum gramado sintético, com uma bola que era uma bexiga.

Os melhores de bola eram 2 marroquinos e eu (moléstia à parte), e um ou outro italiano que marca mais ou menos bem. O resto não jogava nada. Me lembro uma vez que meu amigo Léo, que vive em Barcelona, me disse que aos estrangeiros faltam noções básicas, como sair da marcação e por exemplo, quando se está com a bola no meio de campo, alguém passar correndo na lateral pra receber na frente. Eles ficam parados em seus lugares, simplesmente. Correm olhando pra bola e não percebem quando tem alguém do lado. E além disso, não falam. Ficam o jogo inteiro sem dizer, passa, chuta, ladrão ladrão, foi mal, to sozinho com 3 aqui atrás porra! Ninguém fala nada. Tipo, o jogo deve sair sozinho, do nada, com vida própria. Eu acabei falando mais em português e por fim não adiantou muito. Isso é normal, quando nos achamos numa situação específica pela primeira vez, faltam as palavras certas. Eu só dizia “calcia, calcia!” que quer dizer chuta, chuta! Porque também não sei as razões obscuras dos europeus que, quando não tinha ninguém na frente, só o goleiro, os caras ficavam parados, carregando a bola até conseguir perdê-la. Calcia, cazzo!

Não vejo muitas perspectivas pro nosso time. Talvez ganhe uma ou outra partida. Mas contando que terá me parece duas equipes só de brasileiros, o máximo que chegaremos é um terceiro lugar. Mas o importante foi jogar, correr e fazer meu golzinho.

Não posso me despedir sem narrar o meu melhor lance. Dei uma das minhas tradicionais arrancadas pela esquerda deixando dois pra trás, quando fingi que ia chutar cortei pra direita e lá se foi um italiano pra linha de fundo. Chutei forte com a direita e caprichosamente a bola explodiu na trave e saiu na lateral. Ouvia os aplausos pela jogada, as meninas gritando meu nome e o replay incessante no telão do estádio. Depois dessa, talvez o Dunga me convoque. Ou senão posso jogar pela Itália também, agora que tenho a dupla cidadania. Pensando nisso, me dei conta que sou 9 vezes campeão do mundo, 5 com o Brasil e 4 com a Itália. Segura essa, Zagallo!

Vou embora agora porque minha mão ta doendo de tanto dar autógrafos.

Goool!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/94D-LYilVrs" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Il giugno Pisano</title>
            <pubDate>Tue, 26 May 2009 09:46:13 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090526-19930c.jpg" width="279" height="400" alt="" title="" /&gt;

Todo ano, no mês de junho acontecem vários eventos que comemoram e relembram ocasiões históricas na cidade de Pisa, tanto que já ficou batizado como “Giugno Pisano”. O ápice acontece no dia 16, que é o dia de San Ranieri, patrono da cidade.

Este ano coincide, além disso, com a comemoração do “Anno Galileiano”, que relembra os 400 anos da primeira observação astronômica de Gallileu Galilei, e também os 100 anos do time de futebol Pisa Calcio. Ou seja, o mês de junho estará entupido de coisas pra se fazer por aqui. Vou tentar resumir os eventos e se der vontade em alguém de comprar passagem de última hora, me avisa que a gente toma uma cerveja juntos:

- Desde abril ocorrem várias mostras e eventos relativos à vida e a obra de Galileu, que vão até julho;

- 02 de junho: Regata histórica das Antigas Repúblicas Marinaras. Essa regata evoca a rivalidade e o domínio do comércio medieval italiano, representada pelas quatro republicas: Pisa, Genova, Veneza e Amalfi. A cada ano a regata, precedida por um cortejo histórico, ocorre em uma cidade diferente, e este ano será nas águas do Arno, em Pisa;

- 06 de junho: futebol Itália x Irlanda do Norte. Último amistoso que precede a Copa da Confederações, este jogo além disso comemora os 100 anos do Pisa Calcio, equipe local atualmente na série B;

- 16 de junho: Luminaria di San Ranieri. Particularmente è o que mais me interessa, pela quantidade de belas fotos que proporciona. À noite todas as luzes em torno do Arno se apagarão e serão iluminadas por mais de 70 mil luminárias, refletindo nas águas do rio o contorno dos prédios e pontes ao redor;

- 17 de junho: Palio di San Ranieri. Outra regata histórica acontece nas águas do Arno. Neste caso, os quatro bairros mais antigos da cidade Santa Maria, San Francesco, San Martino e Sant’Antonio se enfrentam no mais famoso rio italiano;

- 28 de junho: Gioco Del Ponte. Comemoração histórica precedida por um cortejo devidamente caracterizado e depois por uma batalha entre duas facções rivais: Tramontana e Mezzogiorno, que ocorre na Ponte Del Mezzo, no coração da cidade de Pisa;

Além de todas essas manifestações, várias peças de teatro, música e diversos tipos de manifestações culturais preencherão os outros dias do mês Pisano.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090526-142_luminara-tagliata.jpg" width="600" height="330" alt="Luminaria di S. Ranieir" title="Luminaria di S. Ranieir" /&gt;

Pra quem gosta de eventos históricos e de cidade cheia, é um convite e tanto. Mais informaçoes aqui no site do &lt;a href="http://www.comune.pisa.it/"&gt;Comune di Pisa.

&lt;/a&gt;Allora, arrivederci!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/8HyHn3bwZJg" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Voltando às origens </title>
            <pubDate>Tue, 26 May 2009 05:34:15 -0300</pubDate>
            <description>A història contada a seguir mistura fatos reais com imaginários. Qualquer semelhança com a realidade talvez seja verdadeira, talvez não. Feitas as devidas advertências aos leitores, vamos ao relato.

Tudo começou em 1891, quando nasceu meu bisavo Giuseppe na pequena cidade de San Giorgio in Bosco, na província de Padova, no norte da Itàlia. Mais de cem anos depois, fiz o caminho inverso: saì do Brasil e me dirigi à pequenina cidade em questão. Mas tudo vai muito rápido, não era assim que planejei.

Acordei as 4h da manha da quarta-feira, peguei a mochila já pronta, meti nas costas e me mandei pra estação de trem com a bicicleta. Dormi em torno de 4 horas, e mal, e durante a viagem de trem dei umas cochiladas, não o suficiente pra me recuperar, mas ao menos pra estar acordado durante o dia. O plano era simples e de fácil execução: chego em Padova, largo o mochilao no guarda-volumes, pego a mochilinha e me mando de busao pra San Giorgio, retorno, durmo, no outro dia acordo, conheço Padova, durmo e na sexta cedo me mando pra Veneza, que è ali do lado, e là decido o que fazer, se durmo ou retorno a Pisa.

Simples, tudo devidamente planejado. Mas como a esposa do Eddie Murphy gosta de fazer, ela apareceu quando ninguém mais a espera. Eis que me acordo de meu sonho com uma mensagem no celular “Ciao puoi venire a lavoro venerdì e sabato dalle 7.30-15.30?”. A vontade de dizer não era grande, imensa. Mas não estou em condições de recusar trabalho e tive, a contragosto, que dizer sim. La se foi Veneza por água abaixo, com trocadilho incidental.

Vaffanculo, pensei. Mas a principal parte do plano, que era conhecer a cidade do meu bisnonno ainda seria possível. E foi o que aconteceu.

Cheguei em Padova pelas 11h da manha e resolvi logo almoçar pra enfrentar a tarde no bosque. Logo de cara me deparei com o McDonald’s essa praga que està por toda a parte. Pensei, não vou cair nessa armadilha. Como hoje retorno às minhas raízes (pelo menos metade delas) almoçarei uma típica comida italiana num típico restaurante italiano, com um vinho italiano em minha frente.

Andando pelos arredores achei um que me pareceu bom e barato. Entrei. Me atendeu uma chinesa e, ao lado dela, outras chinesas trabalhando. Como clientes, sò imigrantes. Restaurante errado, pensei. Mas decidi ficar e pedi um spaghetti a carbonara com vinho. E estava muito bom. Me arrpendi apenas do vinho, não pelo sabor, mas porque ele esquenta, e de calor já me bastava o ambiente.

Peguei o busao na estação (aliàs, busao bom pra caramba) e depois de 40 minutos desci no meio do nada, sob um sol de 32 graus e eu sem protetor solar. Comecei a gastar o dedo com fotos, o futuro museu do imigrante cuja sede està em reforma faz mais de 2 anos me parece, a prefeitura (fechada), a biblioteca municipal (fechada), a policia (fechada!), a igreja e a alta torre (adivinhem...).

Eu tinha decidido, obviamente antes de chegar là, de me apresentar às autoridades Giorgianas como um jornalista brasileiro, descendente de italiano que gostaria de obter mais informações ou quem sabe manter contato e colaborar com o tal museu do imigrante. Mas fui traído pelo destino e pela siesta da italianada. Pensei atè em subir na torre, mas se o Padre dormia, acordando-o è que provavelmente ele não me ajudaria, ao menos imagino.

Entao comecei a dar uma volta, o sol queimando mesmo, eu sem boné (queimei a careca) decidi por uma atitude desesperada: tomar um sorvete, num típico café italiano do interior. Quem sabe là eu encontre algum italiano ancião conversando em dialeto veneto e eu possa, por poucos minutos, reviver a vida nos 1800 e guaraná de rolha. 

Fui atendido por um chinês.

A frustração sò não foi maior porque quando me despedi ele murmurou alguma coisa em uma língua desconhecida, provavelmente chinês, mas fingi que era o dialeto veneto.

O mundo dà voltas. Antigamente os europeus saìam de seus países pra povoar outros distantes. Hoje faz-se o inverso. Os chineses estão dominando algumas cidades italianas. Eles vivem em comunidades fechadas, normalmente não se integram com os nativos. Dominarao o mundo, certamente, quando sua revolução for deflagrada. Seremos escravos dos chineses, quem resistir será morto ou viverà na clandestinidade. Voltemos ao texto.

Continuei caminhando. Todo mundo via que eu não era dali, mas deviam se perguntar quem era aquele branquelo andando no solaço tirando foto adoidado de uma cidade sem atrativos? Espiao, sò pode ser. Enquanto eu estava no café do chinês ainda, chegou um engravatado, pediu também um sorvete e se sentou numa mesa próxima. Devia estar puto da vida por ter que parar a sesta pra tentar descobrir quem eu era e informar seus superiores. Fingi ser normal e acho que enganei-o. Em pouco tempo ele se foi e voltei a enviar mensagens ao serviço secreto. Que não è o chinês, è outro.

Saì do Cafè direto pro cemitério. Vivo. Resolvi ler as làpides e ver se encontrava algum parente distante. Nada. Tinha uma única pessoa com o sobrenome da mãe do meu bisavo. E mais nada. Ainda vivo, saì do cemitério (sem ser exumado) e já comecei a sentir ardências no pescoço. Não era o veneno do chinês no sorvete, mas sim o sol se manifestando em seu esplendor na minha nuca.

Andei, andei e achei a placa com o nome da cidade. Tirei fotos. Depois voltei, voltei e fui ao monumento em homenagem aos mortos e desparecidos na Guerra. Ainda ali nenhum sobrenome da família. Somos raros, pensei. Por isso, únicos! E enquanto meu ego se regozijava com essa descoberta, a bateria acabou, quando começava a tirar belas fotos da igreja e da torre. Paciencia, já diria o chinês zen budista. 

Não nego que dei minha contribuição à situação econômica da cidade, pois alem do sorvete chinês, bebi uma garrafa de água mineral com muito gosto. E sò não fiz mais porque não me deixaram. 

Perguntei no meu italiano, fazendo inflexões para deixar o sotaque parecido ao de Veneto, se tinha algum cartão-postal ou lembrança da cidade. O cara me olhou torto. Achei que era pelo sotaque, mas não. Me disse:

-No, San Giorgio è um paesino brutto, non c’è niente da vedere di qua.

So nao bati no cara porque tava muito cansado pra isso. Decidi, depois dessa, terminar por ali minha aventura no bosque e peguei de volta o busao pra Padova porque precisava ainda dormir e aproveitar a noite e o dia seguinte, que seriam longos e quentes.

_______________________________________________

Ps.: Fotos de San Giorgio in Bosco podem ser vistas no link ali na barra lateral direita.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/1v-JjW9IPUg" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Così così</title>
            <pubDate>Sat, 23 May 2009 17:51:01 -0300</pubDate>
            <description>I giorni seguono i suoi corsi. La vita è ancora liquida come una birra gelata che scende con la spuma giù nella gola.
In italiano se diciamo “scende giù” oppure “sale su” è normale. Non lo so perché, ma in tante cose che ho visto, riesco a vedere gli italiani come cugini dei portoghesi. Infatti, ho sostituito nelle mie burle il Manuel portoghese per il Giuseppe italiano.
I giorni seguono, come il fiume Arno segue avanti, fino all’oceano. La pioggia degli ultimi giorni ha fatto diventare marrone il fiume.
La birra è gialla. Il vino è rosso. Il cielo è blu, è lucido e non c’entra niente. La notte è giovane e io non ho voglia di scrivere niente di qua.

Finisco qui. Siam pronti alla morte.
 L’Italia chiamò!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/f80u5RBRdus" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>I disappear</title>
            <pubDate>Sat, 16 May 2009 19:22:25 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090516-disappear.jpg" width="313" height="400" alt="good enough..." title="good enough..." /&gt;

the ancient roads don't mean a thing
the maze of living is
still the same

when the old thoughts 
show up
I take a deep breath

I don't regret my actions
but they
regret me

take a deep breath
and disappear
for a while

you.

I search a soul and find
a body
it seems they can't be one

'cause when I search a body
I find a soul
and then I need
to disappear

I don't trust the others
in fact, the others are numbers
and numbers, though exact,
are not reliable

accuracy is not my strength.
my strength is measured
in bottles of beer

I swallow all my strength
and make it
disappear

I thought that being out
would do me good
I've learned instead
that the place is not the problem

the sax through my ears
sounds good
make a note: in the future
learn to play

I don't trust people
who look for restaurants,
but trust those
who find a bar

life is very long,
but could not be.
meanwhile
I'm here

I've got to disappear&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/qSga2NG1jAI" height="1" width="1"/&gt;</description>
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        <item>
            <category />
            <title>Niento meno, niente più</title>
            <pubDate>Thu, 07 May 2009 22:32:11 -0300</pubDate>
            <description>Fra il dire e il fare, c'è di mezzo il mare.

E tenho dito!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/5CjCyeB2Lyw" height="1" width="1"/&gt;</description>
            <link>http://feedproxy.google.com/~r/tipos-zaratustra/~3/5CjCyeB2Lyw/</link>
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        <item>
            <category />
            <title>To beer or not to beer...</title>
            <pubDate>Sun, 03 May 2009 15:18:21 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090503-duffbeeravatar.jpg" width="150" height="150" alt="D'ou!" title="D'ou!" /&gt;

… Duff’s the question.

Eu tinha decidido me manter longed a internet nesse fim de semana, mas nao deu. Hoje resolvi sair dar uma corrida no Zerao de Pisa (que no lugar do Igapò, tem o rio Arno do lado), coisa normal, num domingo ensolarado e quente. As pessoas se exercitando, as moças desfilando, as crianças brincando, tudo como deveria ser. Foi então que depois da corrida resolvi parar num barzinho pra beber uma água. Grande erro.

Vi na mesa de algumas pessoas uma long neck da Duff beer, a cerveja do Homer Simpson. Não pode ser, pensei comigo mesmo. Depois vi um pôster com a propaganda. E decidi cair na armadilha: ah não, vou ter que beber uma dessas. 

E me sentei num banquinho, ouvindo uns mp3 e bebendo minha Duff. O gosto è bom, o grau alcoólico de 5% tà dentro da mèdia das cerveja, mas daì vc começa a pensar no desenho, Homer e Barney bebendo uma no bar do Moe e ri sozinho.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090503-duff.jpg" width="430" height="643" alt=""Beer: the cause of - and solution to - all life problems!" Homer Simpson" title=""Beer: the cause of - and solution to - all life problems!" Homer Simpson" /&gt;

Não sei exatamente desde quando estão fabricando a tal cerveja, mas considerando a idade da sèrie, demorou pra eles começarem a faturar em cima. E quem gosta do seriado, pelo menos uma vez vai querer provar a tal da Duff, o que garante um bom pùblico, sem gastar muito dinheiro com propaganda, que aliàs vem sendo feita hà muitos anos por Homer. Que nem recebe cachê por isso.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090503-duff2.jpg" width="515" height="426" alt="Nao é fotomontagem, existe mesmo!" title="Nao é fotomontagem, existe mesmo!" /&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/XYmqMjBXZdk" height="1" width="1"/&gt;</description>
            <link>http://feedproxy.google.com/~r/tipos-zaratustra/~3/XYmqMjBXZdk/</link>
        <feedburner:origLink>http://zaratustra.tipos.com.br/posts/2009/05/03/to-beer-or-not-to-beer/</feedburner:origLink></item>

        <item>
            <category />
            <title>Il Cavaliere inesistente</title>
            <pubDate>Thu, 30 Apr 2009 20:02:34 -0300</pubDate>
            <description>Nessa noite fria de òcio, que me impede de sair de casa e ver as belas italianas a passear às margens do rio Arno, o vento forte bate à minha janela.  

Nessa noite fria, não tenho muito a fazer. Resolvi então utilizar toda a minha sobra de tempo pra conhecer melhor o histórico do manda-chuva italiano, o Berlusca. Apesar de que em alguns aspectos ele se pareça com Lula (principalmente no que se refere a falar bobagens), vocês verão em poucas linhas que há um abismo gigantesco entre ambos. E eu não sei dizer se isso é bom ou não, nem para quem. Decidam vocês. 

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090430-berlus3.jpg" width="351" height="500" alt="E no sétimo dia Eu descansei..." title="E no sétimo dia Eu descansei..." /&gt;

Berlusconi nasceu em 1936 e todo o seu dinheiro o consegue deixar com a mesma cara que tinha em 86. Começou no ramo imobiliário, criou empreiteiras. Depois, partiu para a televisão e criou o grupo Mediaset, que possui 3 canais abertos na Itália. E obviamente, também Tv a cabo.

Cansado de construir e criar programas (chegou até a apresentar alguns, me parece), comprou uma das maiores Editoras italianas, a Arnaldo Mondadori, que por sua vez controla outras várias editoras de médio e pequeno porte, inclusive a conhecida Einaudi e uma modesta com o singelo nome de Silvio Berlusconi Editore. Sem contar diversas revistas e jornais espalhadas pelo país.

Foi sócio da Blockbuster Italia até 2002. Controla uma produtora chamada Medusa Film. 

Pra distrair, durante algum tempo deteve em suas mãos duas grandes redes de supermercados de âmbito nacional, já vendidas.

Desde a época em que ainda trampava com empreiteiras, criou uma holding cujo nome é Fininvest, que é a gestora de seus negócios. Através dela, os tentáculos do Berlusca se estendem por toda Itália e até ultrapassam as fronteiras da nossa península.

Através da Fininvest, além das já citadas Mondadori e Mediaset, seus outros brinquedinhos são Associazione Calcistica Milan (isso mesmo, o time do Kaká e do Ronaldinho e do Beckham e do Dida e do Seedorf e do Pato e do Emerson e do Leonardo, que hoje já não joga mais, e virou cartola) e o grupo Mediolanum, que por sua vez detém participação em diversas empresas financeiras (bancos) e de seguros.

Seus filhos estão sempre como administradores, presidentes de conselhos administrativos ou apenas presidentes das poucas empresas do papai.

Cansado de tudo, da monotonia que a administração de empresas gigantescas e milionárias produzem, resolveu ser político. Está no quarto mandato como Premier, mas não consecutivo. A democracia parlamentarista vigente na maior parte dos paìses europeus, permite isso. Aprovou várias leis durante todos esses anos cujo beneficiário direto ele via todo dia em frente ao espelho, logo que acordava.

Para chegar ao poder no atual mandato, aliou-se com a Lega Nord, partido de extrema-direita em franca expansao, principalmente na parte setentrional da bota.

Indiretamente, como chefe de estado, também controla a TV pública RAI, com 3 canais abertos e um de 24h de noticias.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090430-berlus2.jpg" width="300" height="274" alt="Segura aì, repòrter!" title="Segura aì, repòrter!" /&gt;

Esses dias, num dos encontros do G20 (ou do G8, sei lá) deixou a primeira-ministra alemã Angela Merkel a ver navios, enquanto ficou meia hora no celular. Procurem no you tube...

Lembro que pouco antes de eu vir pra cá, nosso amiguinho declarou que a justiça é um câncer da sociedade. (Pra ilustrar, ele tem, como não poderia deixar de ser, vários processos nas costas, mas deve se livrar de todos). Já chamou o Obama de bronzeado. Já disse que as vítimas do terremoto vivem como se fosse num camping de fim de semana.

Formado em direito, segundo a Forbes, é o segundo mais rico da Itália e septuagésimo (70º ) do mundo. 

E quando alguém fala que está tudo nas mãos de Deus, Silvio abaixa a cabeça e acaricia as palmas da mão.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090430-berlus1.jpg" width="304" height="248" alt="Motorhead!" title="Motorhead!" /&gt;

O tìtulo desse post è emprestado de um òtimo livro de Italo Calvino, que infelizmente nao reflete a verdade do post. E da vida.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/5VhLtHs7fnw" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Frainteso</title>
            <pubDate>Wed, 29 Apr 2009 13:33:42 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090429-frainteso2.jpg" width="516" height="311" alt="Niente da scrivere..." title="Niente da scrivere..." /&gt;

La speranza, vi dico, fantasmi miei, sopravvive ma è innocua. Il raggiungere i sogni è uno spettacolo assente alla maggioranza delle persone. Per questo bevo, per questo scrivo. 

Se un giorno qualunque viene da me la fortuna, le dirò: vatene, non sei benvenuta di qua.

E assaggerò un altro bicchiere di whisky, con il sorriso accanto alla bocca. Mentre bisbiglio “fanculo” fra i denti.

Ma questa è un’altra storia, che riscriverò un giorno ancora.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/CoIEqwOrobA" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Chegamos à metade: sò mais 5 anos</title>
            <pubDate>Thu, 23 Apr 2009 21:56:53 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090423-bukowski-words.gif" width="599" height="597" alt="Shut up and give me another beer..." title="Shut up and give me another beer..." /&gt;

Dia 22 de abril de 2009: 5 anos desde a proclamação da Década Bukowski. Nos meus já distantes &lt;a href="http://www.assimfalhouzaratustra.blogger.com.br/2004_04_01_archive.html"&gt;tempos da faculdade de jornalismo &lt;/a&gt;surgiu a idéia. A década Bukowski. Sigo ainda nessa estrada. Metade do caminho percorrido. Em 2014, fim. Pra comemorar, me encontrarei este fim de semana em Roma com a Ursa (que diz sempre estar ferida, mas ela mesma sabe que até casar sara) e beberemos um bom vinho italiano, ao mesmo tempo em que seremos expulsos de dentro da Fontana di Trevi.

E homenagem a tudo isso, traduzo aqui (como sempre sem nenhum método, e sem dicionário!) uma das pérolas do meu amigo Buk, um dos poemas fodoes dele. Falo vez em quando do Buk, mas poderia ser muito bem qualquer outro escritor que admiro.

Mas os poemas do Hank Bukowski são inimitáveis:

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090423-bukskirt.jpg" width="300" height="517" alt="nice girl" title="nice girl" /&gt;


GAROTA DE MINI-SAIA LENDO A BìBLIA DO LADO DA MINHA JANELA

Domingo, eu estou comendo uma
toranja, acabou o culto da igreja Russa
Ortodoxa para o 
Ocidente.

ela é sombria
de descendência Oriental,
grandes olhos marrons espreitam por sobre a Bíblia
e abaixam, uma pequena 
Bíblia preta e vermelha, e enquanto ela lê
suas pernas se mexem, se mexem,
ela faz suaves danças rítmicas
lendo a Bíblia...

grandes brincos de ouro;
2 braceletes de ouro em cada braço,
e tem um mini-casaco, eu suponho,
o pano que abraça seu corpo,
a leveza do bronzeado é aquele pano,
ela chacoalha aqui e lá,
longas pernas amarelas quentes no sol...

não tem escapatória ela sendo
não tem desejo de...

meu radio toca musica sinfônica
isso ela não pode ouvir
mas seus movimentos coincidem exatamente
com os ritmos da
sinfonia...

ela é sombria, ela é sombria
ela está lendo sobre Deus.

Eu sou Deus.&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/H2aDzqV_KtI" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Da Falseabilidade (ou refutabilidade) de Popper. Mais ou menos isso</title>
            <pubDate>Thu, 23 Apr 2009 21:16:56 -0300</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16480/20090423-popper.jpg" width="276" height="188" alt=""Os nossos sonhos e desejos mudam o mundo"" title=""Os nossos sonhos e desejos mudam o mundo"" /&gt;

Uns tempos atràs estava em voga a noticia da possível extradição que o Brasil negava ao governo italiano do ex-terrorista (se è que o cara deixa de ser terrorista, não entremos neste mérito) Cesare Battisti. Se bobear atè escrevi um post sobre isso, alèm de uma carta minha que foi publicada no jornal Il Firenze (que embora não pareça, è de Firenze). Foi uma recaída no jornalismo, admito. Prometo que isso não mais se repetirà.

Mas podemos usar o exemplo deste caso. Usando elementos simples de silogismos, explicados alguma vez em algum livro de Karl Popper que li e não me lembro mais (na verdade Popper fala de coisas bem mais complexas, e não exatamente de silogismos, mas de argumentação cientifìca, mas fica bonito citar um filòsofo no meio do texto). Enfim, usando de artimanhas realmente simplistas e um pouco de imaginação tenho como por exemplo conectar o referido caso a, por exemplo, sei là, a eleição de Obama? Não, muito batido. Aos problemas sentimentais da sua vizinha. Sim. 

Voce vê sua vizinha todo dia, no elevador. Eh aquela senhora meio gorda (sò metade, a de cima), sempre alegre e sorridente. Simpàtica, como as senhoras gordas que o Mario gostava de alarmar. O Quintana. 

E um dia sua vizinha està triste. Olha sempre pro chão e nem cumprimenta você e o seu filho ou ao menos faz carinho na cabeça do seu cachorro. Voce, que mora no apartamento de cima, ao invés dos discos da Ivete e da Banda Calypso usuais, começa a ouvir musicas depressivas, como, como... como o que? Amado Batista? Sei la, digamos que Amado Batista cante musicas depre.

Voce percebe que hà algo de errado com a vizinha, e não è somente o gosto musical. Mas, para manter o espírito de boa-vizinhança, decide não interferir nos seus problemas. Atè porque no momento você està muito ocupado na internet, acessando o blog do Zaratustra porque là você sabe que talvez encontre a chave do enigma no terrorista Cesare Battisti. 

Talvez por assistir muito ao Lost ou ao Prison Break, você ache que tem uma conspiração por trás de tudo isso. Mas pode ter certeza que não è a inteligência do governo Lula que està armando tudo isso. Grandes chances de serem a falta dela. 

Mas não, Cesare Battisti não està envolvido com sua vizinha. O que està em jogo è muito mais que uma mera questão de posicionamento e coerência política (ou falta de). Eh um plano superior, algo etéreo, quase intocável, mas que sabemos que està próximo de nòs. Eh a vida, è bonita e è bonita? Não! Eh a consciência.

A sua vizinha que deve se chamar Anita (ou Paloma) vislumbrou em um átimo a consciência do mundo. Não sò do mundo com um planeta ínfimo e isolado no universo e único com vida, o que para alguns è já desesperador o suficiente, mas a consciência do nosso mundo, o palpável e o qual chamamos carinhosamente de Terra, embora na minha opinião e na do Guilherme Arantes deveria ser Agua, pois as águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão.

Paloma (ou Anita) teve a consciência breve mas indelével do Aleph borgiano, aquele mesmo que tenho no meu abacateiro em Londrina. Percebeu sua pequenez diante do mundo, o absurdo da vida, a inutilidade do trabalho diário diante do futuro sem perspectivas que via diante de si, ò pobre e miserável criatura. 

E um dia, quem sabe, com muita força de vontade que no momento inexiste, terminarei esse texto. 

Quem sabe?&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/gOYaIskNo-s" height="1" width="1"/&gt;</description>
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            <title>Post sem perspectivas de comentàrio</title>
            <pubDate>Thu, 23 Apr 2009 21:04:38 -0300</pubDate>
            <description>Falar sobre futebol aqui jà descobri que nao dà audiencia. Razao pela qual, quando me der vontade de falar sobre, postarei logo em seguida outros textos tentando remediar o erro deste, ou sei là o que. Acho que bebi demais jà-

Mas hoje é quinta! è quinta e a Samp perdeu de 1 x 0 pra Inter de Milao. Mas contando que no jogo de ida vencemos por 3 (sim, eu disse TRES, TRE, THREE, TROIS, DREI) x 0, estamos na final da Copa Italia. Cassano quase fez um golaço.

Dia 13 de maio serà a final, em Roma, contra a Lazio. Jogo unico. Digo uma coisa, se eu estiver de folga, me mando pra là. 

E mudemos de assunto!&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/tipos-zaratustra/~4/259Pa2SR2oE" height="1" width="1"/&gt;</description>
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