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        <title>a Unidade de Todas as Coisas</title>
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        <pubDate>Sun, 25 Feb 2007 18:03:36 -0300</pubDate>
        
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            <title>that's the way</title>
            <pubDate>Sun, 25 Feb 2007 18:03:36 -0300</pubDate>
            <description>É, faz quase um ano que parei de escrever aqui. E o importante é que jamais fiz um pingo de falta ao tipos. 

Há quase um ano morria Jaqueline Matielo, a moça que deixou o carnaval de 2006 um pouco mais doído, após uma fatalidade. 

A certeza é que ela esteja bem.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


Passado, passado...
Isso aqui está é cheio de passado.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2007/02/25/thats-the-way/</link>
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            <title>We're not  the same:</title>
            <pubDate>Sat, 04 Mar 2006 04:26:54 -0300</pubDate>
            <description>Hoje quando a chuva da tarde caiu eu me senti um bocado só.
Era 17h12.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/03/04/were-not-the-same/</link>
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            <title> Notícias de um domingo sem carnaval</title>
            <pubDate>Fri, 03 Mar 2006 03:51:52 -0300</pubDate>
            <description>Jaqueline Matielo, 23, estudava Educação Física. Todos os dias, ao almoçar no Restaurante Universitário da UEL, eu presenciava a mesma cena. Ela chegava com sua bike, amarrava-a em algum canto e punha-se a esperar pela senha da vez com os amigos. 

Tinha uma expressão meio sisuda, séria mesmo. Até então, tudo o que sabia dela. Não sabia onde morava, em que ano estava, o que fazia da vida. Não tinha idéia nem mesmo do seu nome e não tinha curiosidade em saber pois era algo que se repetia com diversas pessoas. Como a rotina nos coloca nessas situações, vez ou outra Jaqueline passava ao meu lado – por mero acaso. Nunca me disse oi, olá, ou me dirigira um bom-dia ou sequer o olhar. Pudera, jamais nos conhecemos até aquele episódio.

Na média, pessoas desconhecidas que se vêem todo dia desenvolvem o hábito de se ignorar – o que é perfeitamente normal. Pense num mundo onde, a cada passo, você fosse cumprimentar, interagir e saber coisas de todos os que sempre encontra por um motivo qualquer. Assim, creio que existe uma percepção mínima com relação aos que estão em volta e, ante à falta absoluta de motivos, interesses e afinidades, sendo o fator de encontro apenas o local determinado onde pretendem algo específico, fica então nisso mesmo e cada um segue para o seu canto. Pode acontecer num caminho, numa rua, numa padaria, num supermercado, numa linha de ônibus em horários comuns ou até mesmo dentro do próprio emprego. Com um mínimo de perspicácia, fica impossível ignorar a variedade de vidas em volta simplesmente porque jamais fariam parte da nossa vida mais diretamente. Para sanar a inquietude, minha solução é sempre observar o mundo à exaustão dos meus olhos. 

Jaqueline estava, junto com algumas dezenas de pessoas, no rol daquelas que, por ver todo dia, às vezes me fazia curioso de me aproximar mais. É quase impossível ver todo dia alguém no bar, na faculdade, na Universidade, no ônibus, e não reconhecer coisas elementares: aquela pessoa existe, ela tem uma vida como a minha, estamos no mesmo espaço físico, eu a vejo. São mundos que se cruzam sem se cruzar. 

No Carnaval, Cachoeira do Chicão em Faxinal. Sábado, no acampamento, reconheci Jaqueline de pronto. Não me pronunciei: afinal, continuávamos na mesma. Apenas fomos acampar com amigos – ela os dela, eu os meus - e somos desconhecidos um do outro. 

Quando chegamos, o calor era de matar. Em direção ao rio que formava a Cachoeira Chicão 1, encontrei no caminho um isopor de latinha. Reclamei comigo que “esse povo só sabe jogar lixo na natureza”, catei o treco da beira do rio e joguei dentro do carro. Instantes depois, uma moça interpelou-nos:

-Alguém viu aí um porta-latinhas?

Peguei o porta-latas no carro e entreguei. Ela agradeceu e seguimos como sempre: para mim, permanecia uma íntima desconhecida, de quem não sabia nem mesmo o nome. Alguém que talvez eu nunca me aproximasse por todos os motivos que já expus no segundo parágrafo. A cachoeira? Só mais um acaso desses.

O que se seguiu é o desfecho prematuro de uma história a qual jamais imaginaria que fosse contar - e que infelizmente contei no jornal. 

Nunca mais verei Jaqueline e sua bike no RU da UEL. Nem Flávio. Nem Renata.


&lt;b&gt;Aluna da UEL morre em acidente na cachoeira&lt;/b&gt;

Às duas da tarde do domingo de Carnaval, um grupo de 15 jovens londrinenses parecia desnorteado: no acampamento selvagem às margens do rio São Pedro, em Faxinal, a 87 quilômetros de Londrina, a estudante de Educação Física Jaqueline Matielo, 23, acabara de despencar da Cachoeira do Chicão 2, um paredão de pedras de 60 metros de altura, de onde dificilmente salvaria-se com vida.

“A Jaqueline caiu, a Jaqueline caiu”, cortavam os gritos na região do acampamento. Um a um, os estudantes tomavam ciência da tragédia e levavam as mãos à cabeça, em sinal de visível desespero. “Não consegui pegar a mão dela e ela escorregou”, gritava aos prantos amiga de Jaqueline, Renata. O outro amigo, Flávio, aparentava saber a verdade, mas insistia com Renata que tudo estava bem. Jamais esteve.

Jaqueline estava na Cachoreira do Chicão 2, uma das 45 belas quedas naturais da região que atraem londrinenses todos os fins de semana. Não seria diferente no Carnaval, quando bandos de jovens buscam a tranqüilidade do campo para fugir do agito carnavalesco. Uma parte do grupo, a maioria de estudantes, havia chegado à região da Cachoeira do Chicão 1 na sexta-feira. A outra parte, no sábado.

Recanto

A cachoeira do Chicão 2 é um recanto distante cerca de 1,5 quilômetro da pequena estrada que liga Faxinal a sua zona rural. É procurada por aventureiros que, diante das facilidades de acesso à Cachoeira Chicão 1, preferem aventurar-se um pouco mais para visualizar o paredão de pedras da Chicão 2. É um dos pontos preferidos para a prática esportiva de rapel.

Pela manhã do domingo, Jaqueline encontrou um casal que voltava do caminho quando disparou em tom de brincadeira: “Desistiram, não estão com coragem?” e seguiu a trilha. Já perto das 14h, os quatro amigos e o irmão com quem estava insistiram para voltar ao acampamento. Manifestou que não queria – posto que o lugar era agradável demais – mas aceitou. Apenas pediu que esperassem para lavar o pé. Em um instante, escorregou na beirada e foi sugada por um canal de pedra em que o rio se afunila para formar o paredão de 60m de queda. A amiga Renata tentou segurá-la, mas foi inevitável. Os que estavam na frente não acreditaram quando Renata correu e contou que Jaqueline acabara de cair.

Desespero

O que se seguiu dali em diante foi puro desespero. No meio do mato, os jovens corriam pedindo ajuda até a volta ao camping. Nenhum dos 10 celulares disponíveis funcionavam na zona rural de Faxinal. Dada a notícia, um dos integrantes da turma, Flávio, dirigiu-se ao acampamento de um outro grupo distante uns 100 metros.

De carro, levaram-no em alta velocidade até ao Hospital Municipal de Faxinal na cidade, distante três quilômetros do acampamento. Para surpresa de todos, não havia nenhum médico no momento, apenas enfermeiras de plantão. Até aquele instante, ainda não sabiam tratar-se de uma operação de resgate de um corpo ou de salvamento de uma vida. Do hospital, as enfermeiras tentaram acionar a ambulância da Cidade – que fica na casa do motorista para que tudo seja mais rápido numa emergência. O celular do funcionário estava fora do ar.

O grupo, acompanhado de uma das funcionárias do posto, decidiu ir até a casa do motorista enquanto o Hospital contatava com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Foram informados que a unidade mais próxima de salvamento – em Apucarana – levaria até uma hora para chegar à Cachoeira Chicão 2. Pelo rádio, a Polícia Militar foi acionada, chegando praticamente junto com a ambulância no local – mas sem médicos. Apenas Flávio, o motorista da ambulância e dois policiais numa viatura.

“Eu sei que ela não está mais viva, diz logo para mim!”, berrou Renata, inconsolável, aos prantos e com a roupa cheia de lama, assim que Flávio desceu da ambulância da Prefeitura. Tudo o que o rapaz pôde fazer foi segurar a moça pelos braços. Até ali, passaram-se 40 minutos do acidente.

Sem ajuda médica, os dois policiais militares ativeram-se a arrebanhar voluntários para seguir a trilha: dez se prontificaram, entre moradores da região e amigos do acampamento. A distância de 1,5 quilômetro de trilha é um caminho complicado para quem pretende chegar a Chicão 2, que dirá para salvar alguém ou ser salvo. Quando os voluntários chegaram lá, um morador já havia resgatado Jaqueline das pedras. “O coração dela não bate mais”, avisou.

Com Jaqueline na maca venceram o caminho rapidamente, a despeito do mato na tortuosa trilha. Quando apontaram no alto do pequeno morro, moradores e amigos que aguardavam próximo à ambulância silenciaram em meio aos gritos de “sai, sai, sai” para abrirem caminho. O choque foi inevitável.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060303-jaque net.jpg" width="198" height="150" alt="..." title="..." /&gt;

Ciente de que nunca mais veria a amiga, Renata apertou nas mãos a identidade de Jaqueline, que tinha ido buscar na barraca momentos antes. Caindo em si, chorou e teve uma crise, sendo agarrada por Flávio novamente. Na maca, em roupas de banho, Jaqueline estava inerte: o nariz sangrava e a face, roxa, indicava que nada mais havia a ser feito. Com ela na ambulância, o policial deu a fria ordem ao motorista: “Leve-a para o Hospital Municipal para constatação do óbito”.

Estudante de Educação Física, Jaqueline naturalmente era bastante ativa e saudável. Ela se formaria em Educação Física em março e fazia cursos de arbitragem. Costumava ir para a UEL de bicicleta e almoçava todos os dias no Restaurante Universitário – sempre acompanhada de seu veículo do qual não desgrudava. Um dia antes de tudo, ainda no sábado quando chegamos ao acampamento, Jaqueline havia se aproximado do nosso grupo perguntando sobre um objeto perdido que lhe pertencia. Quando entreguei, respondeu com um bonito sorriso e um sonoro obrigado.

Menos de hora depois de resgatado o corpo, todos os integrantes do acampamento de Jaqueline já haviam desmontado os equipamentos e ido embora. Para trás, uma brasa de fogueira que teimava em queimar, lixo em profusão e tristeza. Muita tristeza.

O corpo foi levado para Campo Grande, no Mato Grosso, de onde seguiu de avião até a cidade de Sorriso, residência da família. Jaqueline foi enterrada no fim da tarde de segunda-feira.

Marcelo Frazão
Jornal de Londrina

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060303-ambulancia net.jpg" width="220" height="165" alt="...adeus, jack..." title="...adeus, jack..." /&gt;</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/03/03/noticias-de-um-domingo-sem-carnaval/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Be the Love Generation!</title>
            <pubDate>Sun, 12 Feb 2006 13:33:52 -0200</pubDate>
            <description>From Jamaica to the world,
it's just love,
it's just love,
Yeah!

Why must our children play in the streets,
broken hearts and faded dreams,
peace and love to everyone that you meet,
don't you worry, it could be so sweet,
Just look to the rainbow, you will see
sun will shine till eternity,
I've got so much love in my heart,
No-one can tear it apart,
Yeah,

Be the love generation,
Yeah, yeah, yeah,
Be the love generation,
C'mon c'mon c'mon c'mon yeah,

Don't worry about a thing,
it's gonna be alright</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/02/12/be-the-love-generation/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Life!</title>
            <pubDate>Sat, 11 Feb 2006 04:16:25 -0200</pubDate>
            <description>&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060211-Vida!.jpg" width="171" height="228" alt="One love, one life" title="One love, one life" /&gt;</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/02/11/life/</link>
        </item>

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            <title>São só palavras?</title>
            <pubDate>Sat, 28 Jan 2006 03:31:26 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Raciocine comigo:&lt;/b&gt;

fru.ga.li.da.de    sf    (lat frugalitate)
1 Qualidade de frugal. 2 Temperança.

fru.gal    adj    (lat frugale)
1 Relativo a frutos. 2 Que se alimenta de frutos. 3 Que come com parcimônia. 4 Moderado, sóbrio.

tem.pe.ran.ça    sf    (lat temperantia)
1 Poder ou virtude pela qual o homem pode refrear os apetites desordenados. 2 Sobriedade no comer e no beber. 3 Economia, parcimônia. 4 Modéstia.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/28/sao-so-palavras/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Episódio de hoje:</title>
            <pubDate>Fri, 27 Jan 2006 01:20:02 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Toma o que é teu:&lt;/b&gt;
Brasileiro é um povo tão mesquinho e sem educação que às vezes é preciso lançar mão de certas estratégias &amp;#8220;de choque&amp;#8221;. Uma pena que no nosso país algumas noções elementares de civilidade só entram na cabecinha oca das pessoas se forem por meio de um dedo no olho, literalmente.

           &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060126-DSC04365.JPG" width="170" height="228" alt="Viva Latrino America!" title="Viva Latrino America!" /&gt;

           Praça na Avenida Humaitá, centro de Londrina.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/27/episodio-de-hoje_5/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Londrina, 8h</title>
            <pubDate>Wed, 25 Jan 2006 23:36:29 -0200</pubDate>
            <description>Os dias têm sido cada vez mais ensolarados e tranqüilos aqui na Rua dos Bobos, número 0. Hoje, quando acordei a frente da minha casa estava assim:

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060125-DSC04360.JPG" width="170" height="227" alt="Plac!Plac!Tum!TUm!Ziiiiiiiiiiiiiiióóóóóóóínnn" title="Plac!Plac!Tum!TUm!Ziiiiiiiiiiiiiiióóóóóóóínnn" /&gt;</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/25/londrina-8h/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Aforismo:</title>
            <pubDate>Sat, 21 Jan 2006 23:53:04 -0200</pubDate>
            <description>O sábado é para amadores.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/21/aforismo_2/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Sobre a Sexta sem-lei:</title>
            <pubDate>Sat, 21 Jan 2006 03:34:57 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;O maior pulo simultâneo:&lt;/b&gt;

A Laila acaba de encontrar um record no Guinness Book 2006 que diz a seguinte barbaridade:

&amp;#8220;Às 11h da manhã do dia 7 de setembro de 2001, 559.493 pessoas puseram-se a pular por 1 minuto, para marcar o início do Ano da Ciência no RU (não é no Restaurante da UEL, é na Inglaterra mesmo). Havia, na verdade, 569.069 partcipantes - o excedente era composto por alunos deficientes físicos, que contribuíram para a 'atividade sísmica' jogando objetos no chão&amp;#8221;.

Garanto que é das descobertas mais fantásticas de nossas vidas.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/21/sobre-a-sexta-sem-lei/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Episódio de hoje:</title>
            <pubDate>Thu, 12 Jan 2006 05:02:07 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Das coisas que vi:&lt;/b&gt;

Vou contar, sucintamente, um extrato do que colho no jornalismo diário e que não há como relatar aos honrados leitores. Numa tarde na Prefeitura, vi:
- um secretário que mente muito, muito mesmo, a ponto de me responder uma pergunta olhando para o teto. (tudo bem, isso nem chega a ser nenhuma novidade...)
- pouca gente trabalhando, afinal é janeiro.
- um 'belinatista' que saía do gabinete do prefeito, que por lá não estava, mais à vontade que qualquer um.
- um médico do Samu procurando uma senhora que passava mal no banheiro e que ninguém conseguia encontrar.
- uma recepcionista lindíssima na Secretaria de Fazenda, o que me fez aumentar em muito o interesse por assuntos econômicos, contábeis e financeiros da administração municipal. 

Mais não conto, porque mais não me comprometo.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/12/episodio-de-hoje_4/</link>
        </item>

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            <title>Quanta lamêra!!!!</title>
            <pubDate>Thu, 12 Jan 2006 04:45:49 -0200</pubDate>
            <description>O que dizer da última Noite Latina no Valentino?

E ele respondeu, todo franzino, após aprontar umas e outras: 
- Acho que nunca mais volto lá.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/12/quanta-lamera/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Quem inventou o amor?</title>
            <pubDate>Thu, 12 Jan 2006 04:37:22 -0200</pubDate>
            <description>Eu realmente adoro suas lindas palavras...
uma pena que não passem de...
vento!</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/12/quem-inventou-o-amor/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Aforismo:</title>
            <pubDate>Wed, 11 Jan 2006 12:43:58 -0200</pubDate>
            <description>Um amiga colocou no messenger uma frase lapidar e impossível de discordar:
&amp;#8220;Os dispostos se atraem&amp;#8221;.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/11/aforismo/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Episódio de hoje:</title>
            <pubDate>Tue, 10 Jan 2006 03:18:38 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Sobre a manifestação da falta de enxada:&lt;/b&gt;

Você já pensou o que toca em uma rádio FM na Rússia? Em MOscow? Em São Petersburgo?  POis eu já.

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060110-sputinik.gif" width="118" height="119" alt="Sputinik: Sai fora que sÔ espada!!" title="Sputinik: Sai fora que sÔ espada!!" /&gt; &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060109-europaplus.jpg" width="214" height="116" alt="Raiska! Roskoff!" title="Raiska! Roskoff!" /&gt;

Acha que os russos aos 15,16,17,18,19,20, 21,22, 23 anos ouvem o quê nas rádios? Música tradicional com homenzinhos pulando de braços cruzados em frente ao Kremilin enquanto cai neve? &lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060110-Clair and Dima in a Russian Dance.jpg" width="206" height="350" alt="Moscow, Moscow! ho-hoho-hoho-hoho-ho" title="Moscow, Moscow! ho-hoho-hoho-hoho-ho" /&gt;

Ouvi umas cinco ou seis rádios FM russas. Entre as que me lembro, Europa Plus e a Avtoradio, ambas de Moscow; Radio Baltika de St.Petersburg e a Radio Mix FM, de Riga-Latvia (hUm?oNdE? Não sei). 

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16/20060110-moscow!moscow.gif" width="168" height="94" alt="Camarada, we want you for us!" title="Camarada, we want you for us!" /&gt; Se o locutor não falasse russo, diria que estou na escuta de uma FM brasileira. Ou americana, ou alemã, ou venezuelana. Até as vinhetas, as chamadinhas em que o locutor fala em eco a sintonia da rádio no fim da música, tudo, tudo, tudo absurdamente igual. 

Não entendo merrecas de música pop (graças a Deus), mas camarada, a &amp;#8220;top list&amp;#8221; é impressionante:

Pussycat Dolls - Stickwitu
Akcent - Kylie
Mustafa Sandal - All My Life
Martin Solveig - Everybody
Green Day - Wake Me Up When September Ends
David Guetta - In Love With Myself
Daddy Yankee - Like You
Potatoheads - Narcotic
N'everGreen - She Believes In Gold
T.A.T.U. - All About Us
Britney Spears - And Then We Kiss
&amp;#1041;&amp;#1088;&amp;#1072;&amp;#1090;&amp;#1100;&amp;#1103; &amp;#1043;&amp;#1088;&amp;#1080;&amp;#1084; - &amp;#1050;&amp;#1091;&amp;#1089;&amp;#1090;&amp;#1091;&amp;#1088;&amp;#1080;&amp;#1094;&amp;#1072; (o CPM 22 de moscow)
Backstreet boys - Incomplete
&amp;#1070;&amp;#1083;&amp;#1103; &amp;#1057;&amp;#1072;&amp;#1074;&amp;#1080;&amp;#1095;&amp;#1077;&amp;#1074;&amp;#1072; - &amp;#1045;&amp;#1089;&amp;#1083;&amp;#1080; &amp;#1042; &amp;#1057;&amp;#1077;&amp;#1088;&amp;#1076;&amp;#1094;&amp;#1077; &amp;#1046;&amp;#1080;&amp;#1074;&amp;#1077;&amp;#1090; &amp;#1051;&amp;#1102;&amp;#1073;&amp;#1086;&amp;#1074;&amp;#1100; (a Pitty do Kremlin)

Agora, a top list tupiniquim na Folha FM e Jovem Pan FM.

All About Us - T.A.T.U 	
Wake Me Up When September Ends - Green Day 	
Irreversível - CPM 22 	
Lonely - Akon 	
Don´t Lie - Black Eyed Peas 	
We Belong Together - Mariah Carey
Don´t Cha - Pussy Cat Dolls 	
Gasolina - Daddy Yankee 	
 Pitty  - Memórias  	  
Daddy Yankee - Gasolina 
50 CENT - Candy Shop 	
Nickelback - Photograph 
Simple Plan - Crazy

&amp;#1070;&amp;#1083;&amp;#1080;&amp;#1103; &amp;#1057;&amp;#1077;&amp;#1083;&amp;#1077;&amp;#1079;&amp;#1085;&amp;#1077;&amp;#1074;&amp;#1072; a todos vocês!</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/10/episodio-de-hoje_3/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Adeus Lênin!</title>
            <pubDate>Sun, 08 Jan 2006 23:09:51 -0200</pubDate>
            <description>É ótimo filme. Se não viu, vá ver porque não vou comentar mais nada.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/08/adeus-lenin/</link>
        </item>

        <item>
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            <title>Episódio de agora:</title>
            <pubDate>Sat, 07 Jan 2006 04:06:07 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Eu não devia estar onde estou&lt;/b&gt;

Na mente, um turbilhão tão infinito a dizer e pensar que torna-se mais razoável desacelerar e ir dormir. É que queria falar sobre amor, sobre desejos, desafios, mulheres e homens. E ainda queria discorrer umas linhas sobre esse jogo psicológico perigoso, que vai no limite, embora todos finjam que não. Somos todos uns desafiadores irresponsáveis, uns insanos imaturos que se perdem ante à possibilidade dos prazeirosos prazeres da carne. Nada mais do que isso.

Em verdade, somos pó.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/07/episodio-de-agora/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Episódio de hoje:</title>
            <pubDate>Sat, 07 Jan 2006 03:51:58 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;Coincidências felizes, outras nem tanto:&lt;/b&gt;

Que tal se desligássemos agora a câmera antes de a pegadinha virar vídeo-cassetada?

Esse jogo já é intrincado, e tende a ficar perigoso, embora extremamente atraente e cheio de coincidências.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/07/episodio-de-hoje_2/</link>
        </item>

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            <category />
            <title>Episódio de hoje:</title>
            <pubDate>Fri, 06 Jan 2006 01:20:18 -0200</pubDate>
            <description>&lt;b&gt;O Clube da derrota em ação&lt;/b&gt;

Depois de mais um dia de trabalho áááááááááárduo, estava eu muito distraído a esperar uma carona - e a observar o caos na rua suja em frente ao império da comunicação onde trabalho - quando uma mocinha, dos seus 25, 26, muito top, passou e me fitou nos olhos. Como estava só eu e uma parede atrás, consegui evitar o ridículo de achar que não era comigo, porque definitivamente era. A única possibilidade que cogitei é que a mocinha dos sonhos fosse estrábica e estivesse a admirar o maravilhoso tóten da emissora, mas isso seria uma tragédia. 

Eis que ela, toda maravilhosa, charmosa, inspiradora, atravessa. Do outro lado da rua, abusadamente, pára e cruza os braços me fuzilando e atingindo diretamente. Era algo bastante parecido com um &amp;#8220;Vem logo que eu quero te conhecer&amp;#8221; nada sutil. Não, não se tratava de uma garota de programa. Nem de um traveco.

Sabiamente, fingi que não era comigo. Não adianta, essas coisas não acontecem. 

Pode mostrar a câmera que no domingão do Faustão eu vou morrer de rir.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/06/episodio-de-hoje/</link>
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            <category />
            <title>Filmes recém-sorvidos:</title>
            <pubDate>Wed, 04 Jan 2006 20:32:05 -0200</pubDate>
            <description>Na seqüência:

Justiça (documentário, Brasil)
Notícias de uma guerra particular (documentário, Brasil)
Hotel Ruanda (ficção/documentário/realidade, França)
Janela da Alma (documentário, Brasil)
A batalha de Argel (ficção/documentário/realidade,Itália)</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/04/filmes-recem-sorvidos/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Rap nu ear!</title>
            <pubDate>Mon, 02 Jan 2006 22:14:58 -0200</pubDate>
            <description>Duas horas e 15 minutos antes deste ano, comentei com a Lori:

- Dentro de duas horas e 15 minutos todo mundo vai continuar fazendo tudo errado, como sempre fez...

Estamos em 2006 e olhem aí como está o seu guarda-roupas, a sua casa, a rua, o bairro, Londrina, o estado e a porcaria do seu país. Olha como está você com sua namorada, com seu  pai, mãe e irmão, contigo mesmo. Olha para dentro do seu coração. 

Veja ali, daquele lado, como o empregado continua querendo enganar o patrão, justamente porque ele o  quer pelas costas a cada dia. Olha o vizinho bêbado e decadente que espanca o cachorro e a mulher e o afilhado pequeno, olha o lixo que você jogou ontem no chão, o bueiro entupido, o rio sujo, o ponto de ônibus emporcalhado. Olha a velhinha em pé no coletivo e a gostosa fingindo que não está sentada no lugar para ela exclusivamente reservado. 

Na rua, olha o desprezo de cada um quanto ao que é de todos. Olha em todos a cobiça do que só do alheio é, olha o mal-estar geral, o mau cheiro. 
Olha o conforto, o último lançamento, o dinheiro que todo mundo quer. Olha Ruanda, Tikrit, Argel, Porto Rico, Londrina. Olha eu, você e a família frazão. 

Olha o carrão à custa do outro. Olha a desigualdade, a empáfia, o nhé-nhé-nhé. Olha lá todo mundo colocando a culpa no outro, do bem vestido ao roto. No sistema, na sorte ou na falta dela, no raio da condição social. 

Olha só a cara de indignação do pobre e do rico olhando pra Geroge W. Bush, aquele ditador de primeiro mundo. Olha lá a pervertida colocando a culpa no tarado. Olha pra dentro do seu coração.

Observe a astúcia do bandidinho dizendo que &amp;#8220;precisa comer&amp;#8221;, ou &amp;#8220;porque estava loucaço, noiado, perdido&amp;#8221;, e que não queria, na verdade, apavorar a família que já estava derrotada anos antes da sua chegada, em plena noite de Natal. É que ele não teve um, coitado. 

Olha o aviãozinho, a arma, olha lá o playboy da vila, o mauricinho da boate, o corrupto de plantão, o médico pilantra, o secretário sem escrúpulos, o professor preguiçoso, o mendigo aproveitador. 

Olha o pobre ignoto que joga o seu lixo no fundo do vale. Agora observe a enchente levando a casa dele, que fica no mesmo lugar. Olha lá os 18 caminhões de lixo da CMTU. Olha o desleixo, o desmazelo, o dar de ombros, a convulsão.

Olha lá o prefeito, o presidente, o deputado dizendo que &amp;#8220;eles? Jamais!&amp;#8221;
Morte aos detratores, sinistros acusadores, esses apontadores das coisas erradas dos outros. 

Olha lá a mesquinhez no seu emprego. Olha o ônibus lotado, a demora, o desrespeito, a fila. Olha na cara de todo mundo, do mais rico ao mais pobre, olha nos olhos deles... Percebe o mais humano desprezo? 

Nós, brasileiros, sofremos porque nos aplicamos o mais humano desprezo que um povo pode merecer: o desprezo que não é só o dos poderosos, o da elite, dos governos... É o desprezo que vem de nós mesmos, dos iguais, uns dos outros. 

Olha a rua suja, olha a falta de asseio geral, de modos, de solidariedade, de caridade. Olha quantos umbigos, feios e arrumados, com piercing e desajeitados!

Olha quanta gente morta, quanta coisa malograda, quantos projetos fracassados. Olha só as ilusões perdidas!

Olha a rede que pratica a responsabilidade social! Olha o marketing barato prá inglês ver, olha a rede da cidadania! Olha a falta de conteúdo fantasiada de conteúdo e de preocupação com coisas tão diversas quanto o destino do palito de fósforo e do cosmos!

Olha só o tamanho da culpa do outro! A responsabilidade de todos! 

Olha quanto dinheiro rolando, quanta coisa e gente se comprando, olha quanto clichê para justificar!

Até quando a Globo, até quando o FMI, que já está fora?
Até quando o governo, e sempre dele?
Até quando você vai insistir que todos são preconceituosos, se nada tenho com isso? Que todos os homens são machistas, que todos os jornalistas manipulam, que todos os machos traem, que as mulheres querem ser proetegidas, que todos os governos sempre fizeram assim, se nada tenho com isso?
Até quando a culpa permanecerá com a burguesia, esses malvados aproveitadores?
Até quando a elite invisível, a conspiração internacional, o Estado, até quando só o Comando de Controle tomará as decisões e se perpetuará como o único responsável pelo estado de coisas em que nos afogamos a cada tempo?

Olha a atitude da média das pessoas que conseguem se expressar minimamente .... Do mais abastado ao mais abandonado, todos verbalizam e cobram tanto de tudo ... Quê mais precisa se falado? hUm?

E aí? Quem vai ouvir isso tudo para melhorar 2006? 
O meu chefe?</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2006/01/02/rap-nu-ear/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Mais que profissionais:</title>
            <pubDate>Wed, 28 Dec 2005 00:20:27 -0200</pubDate>
            <description>Os Amadores foi das melhores coisas que vi na tv ultimamente.

Sutil, inteligente, engraçado, altamente verdadeiro. 

Apesar da grande brincadeira que é o seriado, a vida se faz muito semelhante à maneira que foi mostrada...</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2005/12/28/mais-que-profissionais/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>E a história se repete:</title>
            <pubDate>Wed, 14 Dec 2005 01:56:13 -0200</pubDate>
            <description>Amanhã (ou hoje, dependendo do referencial) vou num lugar, junto com os pesquisadores da UEL e UEM, que não vai mais existir se a Usina Hidrelétrica de Mauá for construída no Rio Tibagi. Aguardem matéria.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2005/12/14/e-a-historia-se-repete/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>O mUnDo:</title>
            <pubDate>Mon, 12 Dec 2005 22:39:54 -0200</pubDate>
            <description>O mundo só pode ser mesmo uma esfiha de carne. Não tem como ser outra coisa.

=====

Ouvindo uma música liiiiinda,  43 segundos atrás, me lembrei de uma namorada lá pelos idos de Jornalismo na UeL, de quem gostei mais que o mundo. Quando eu ia embora de Londrina, já dentro do bus, me esmoecia de chorar. Se eu a levava à rodoviária para uma viagem, saía em caquinhos achando que o mundo ia acabar porque ela estava longe.

Mas como tá difícil de sentir um treco desses hoje em dia...</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2005/12/12/o-mundo/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Um homem de moral :</title>
            <pubDate>Sun, 11 Dec 2005 21:31:38 -0200</pubDate>
            <description>Eis que grota me envia o seguinte texto, escrito por Ferreira, o gullar, publicado pela FOlha e que, segundo ele (grota, não gullar), poderia ter sido escrito por mim, &amp;#8220;pela agudez das observações e pelo tom coloquial bem estruturado&amp;#8221;. 

Pena que um elogio de tal monta sequer caiba na minha pequeneza ante um Gullar. Vamos a ele:

As pessoas são, em parte, seus valores e, em parte, sua história, como se comportaram e se comportam na prática da vida. E pode se dar como certo que, quase sem exceções, há distância entre o que elas pensam, dizem e o que fazem, já que é mais fácil imaginar e dizer do que realizar. Como se sabe, a teoria, na prática, é diferente...

É verdade, porém, que, como as pessoas não são iguais, em algumas delas a diferença entre o que dizem e o que fazem é menor ou maior. Pode-se dizer mesmo que o esforço do indivíduo para agir o mais coerentemente possível com os seus valores é o que se pode definir como ética. O sujeito ético, a meu ver, não é aquele que não se sente tentado a cometer algum deslize e, sim, aquele que, embora tentado, não se permite cometê-lo, mantendo-se fiel a seus valores. Quem nunca se sente tentado a errar não é ético, é santo. Aliás, mais que santo, porque estes também estão sujeitos a tentações, haja a vista santo Antônio.

Lembram-se de quanto Severino Cavalcanti, ao assumir a Presidência da Câmara dos Deputados, propôs dar aumento de salário aos deputados, inclusive a si próprio? Quando alguns deputados declararam que eram contra o aumento, ele disse com rara franqueza: &amp;#8220;São uns hipócritas. Estão todos querendo o aumento, mas fingem que não estão!&amp;#8221;. É que Severino, destituído de toda noção de ética, não compreendia que desejar o aumento é normal, mas inaceitável do ponto de vista ético. A ética, muitas vezes, implica contrariar nossos desejos e necessidades. Hipocrisia é declarar-se contra o aumento publicamente e, nas encolhas, agir para consegui-lo.

José Diogo da Fonseca não era deputado nem se metia em política; era gerente de uma pequena empresa na qual entrara, jovem, como contínuo e nela subira graças à sua dedicação ao trabalho e a um curso noturno de contabilidade. Mostrou-se, desde o começo de sua vida, um sujeito correto, cumpridor de seus deveres.

No curso noturno, conheceu uma moça, que se chamava Antonieta, com quem passou a namorar. Saíam juntos das aulas, tarde da noite, e pegavam o mesmo ônibus. Certa ocasião, sugeriu levá-la até a porta de casa e lá se declarou. Antonieta topou sem hesitar e, assim, aos domingos, saíam juntos ou para ir ao cinema ou para passear e tomar sorvete. Depois que trocaram os primeiros beijos, Diogo, vendo que a coisa ficava séria, disse a ela que ia pedir-lhe a mão a seus pais. O pedido foi feito e o casamento marcado. Àquela altura, ele já era uma espécie de subgerente e tivera seu salário aumentado. Mesmo assim, deixou para casar quando houvesse comprado as coisas essenciais para a casa, tudo à vista, já que temia endividar-se e não poder pagar em dia. A mesma cautela adotou com respeito ao nascimento de filhos, que ficou dependendo das condições econômicas da família.

A correção de José Diogo era reconhecida e louvada por todo mundo, do patrão à própria Antonieta, que agradecia a Deus por lhe ter dado por marido um homem tão correto.

Os filhos vieram e Diogo pôs em sua educação o mesmo rigor que adotara para si. Às vezes exagerava nas lições de moral, quando então a esposa intervinha lembrando-lhe que os filhos ainda eram crianças e tinham necessidade de alguma liberdade. Diogo aliviava um pouco, mas logo voltava às exigências e a gerar conflito sobretudo com a filha mais velha, Betinha, que começava a flertar com os garotos da vizinhança.

- Namoro só aqui dentro de casa e na minha presença, determinou ele, ao perceber que a filha agora chegava em casa depois da hora do jantar. Mas os dois filhos também tinham que andar nos trilhos, dizer para onde iam se saíssem à noite. Fazia questão de dizer-lhes que se não queria mal para a sua filha, também não queria para as filhas dos outros.
- Se está pensando em namorar a filha do Daniel, trate de falar com o pai dela.
- Não é namoro, é só uma amiguinha.

Naturalmente, os filhos não levavam ao pé-da-letra as exigências do pai. Fingiam que obedeciam mas, quando ficavam a sós, riam às gargalhadas dele.
- Caxias como o pai, não existe!

Pois bem, certo dia, para o espanto geral da família, descobriu-se que José Diogo tinha uma amante. Foi uma amiga de Antonieta que o viu por acaso aos amassos com uma mulher bem mais jovem que ele, no carro, numa rua da Tijuca. Antonieta, primeiro, não acreditou mas, pelo sim pelo não, foi averiguar e descobriu, no bolso do marido, uma carta de amor de uma tal de Lucinha. Depois disso, animou-se a aceitar os planos da amiga e o surpreendeu na entrada dum motel, na hora do almoço, com a tal da namorada. Ele empalideceu, quase desmaia. Antonieta voltou soluçando para casa.
Pego assim, em flagrante, José Diogo adotou uma atitude inesperada: emudeceu. Que mais podia fazer? A mulher chorava e gritava:
- Por que você fez isto comigo, hipócrita miserável!

Ele, mudo, olhava para um ponto do soalho. E mudo ficou dias, semanas, meses. Até que a família decidiu levá-lo a um otorrinolaringologista.</description>
            <link>http://marcelo.tipos.com.br/posts/2005/12/11/um-homem-de-moral/</link>
        </item>
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