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        <title>Dirrrty Pop</title>
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        <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 12:21:44 -0300</pubDate>
        
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            <category><a href="/posts/tag/who+cares" rel="tag">who cares</a> </category>
            <title>"Vamos montar um estacionamento de barcos em Curitiba?"</title>
            <pubDate>Fri, 03 Jul 2009 12:21:44 -0300</pubDate>
            <description>Não lembro a última vez que peguei um voo no horário nesse país. Ok, ok. Viajo super pouco. Mas, nessas poucas vezes, meu avião está sempre atrasado. E nada me deixa mais estressada do que esse tipo de coisa: meu precioso tempo (e paciência) disperdiçado.

Nesses (e outros vários) momentos só me vem um pensamento: esse país devia devia fechar as portas e apagar a luz. Ô lugarzinho em que nada (a não ser esquema para livrar a cara de políticos) funciona.

Fui cobrir um evento sobre empresários inovadores. E ouvi uma das histórias mais bizarras que já conheci. Apresentado como grande inovador, o moço, de uma cidade do interior do Pernambuco decidiu criar uma pequena indústria para fazer lavagens de jeans. Ou seja, uma lavanderia. 

Mas o detalhe, coisa insignificante na história, é que a cidade do moço não tem água. Só isso. Para que serve água numa lavanderia, né? Enfim, ouvimos o case da lavanderia porque, de tanto correr atrás, o moço conseguiu criar um sistema de tratamento de água. E hoje a empresinha dele lava 120 mil peças/mês (ou algo do gênero).

A pergunta que não quer calar (e não calou, porque alguém da plateia levantou a mão e a fez): por que, raios, o senhor não montou sua lavanderia numa cidade onde tinha água? A resposta foi algo como "eu já tinha casado com a cidade, o jeito era arrumar o casamento e não pedir divórcio". Então tá.

Taí mais um motivo para fecharmos as portas desse país: nós brasileiros não somos empreendedores, inovadores, somos uns jegues mesmos. E aqui me incluo. Fazer o quê. </description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/07/03/vamos-montar-um-estacionamento-de-barcos-em-c/</link>
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            <title>(Me) Critiquem</title>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2009 09:20:25 -0300</pubDate>
            <description>Eu gosto de ter o poder de criticar tudo e todos. Não que eu ache que tudo mereça críticas. Ou que eu me ache na posição de ter uma opinião que importe a todos (ou a alguém). Mas é bom ter o poder.

Simplesmente porque o direito a opinião é democrático. Não requer qualificação, treinamento, estudos, especialização. Posso opinar até mesmo sobre uma sinfonia musical não tendo estudado absolutamente nada de música. Apenas porque sinto que algo me agrada ou desgrada.

Por isso, me irrito ao ver o crítico ser criticado, cobrado. ''Faça melhor'', diz o medíocre. ''Ah, você não entende nada desse assunto'', revolta-se o indignado. Engraçado como esses comentários só valem quando a opinião é negativa.

Também não quero dizer que toda e qualquer opinião seja válida, do ponto de vista do avaliado. O espaço de reclamações e elogios está aberto a todos, isso é fato. No entanto, quais opiniões têm de fato uma informação construtiva, relevante? Isso só cabe ao criticado decidir.


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Há cerca de uma semana "instalei" uma espécie de contador de acessos aqui no meu blog. É essa caixinha vermelha ali do lado. Sempre tive curiosidade de saber, afinal, quantas pessoas se aventuravam por essas minhas "páginas".

Pois bem. Tive uma surpresa boa e uma constatação ruim. Descobri que tenho uma média de 50 acessos (ou cliques, sei lá) diários. Bom, né?

Mas, por outro lado, logo cheguei a conclusão que eu não devo ser muito interessante... vide o baixo número de comentários que costumeiramente recebo.

Nem por isso vou pedir para "por favor, deixarem um recadinho quando vierem me visitar", ok? De novo, é só para constar.
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/06/24/me-critiquem/</link>
        </item>

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            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Os pés podem tudo</title>
            <pubDate>Mon, 15 Jun 2009 10:08:47 -0300</pubDate>
            <description>"Tudo o que é preciso fazer é confiar em mim. Veja o que eu posso fazer com os meus pés. Sinta o ritmo por dentro'', diz a letra do artista de hip-hop pop norteamericano Chris Brown (Forever). Talvez sejam essas as diferenças da dança de rua para qualquer outra.

Existe técnica. Existe aprendizado. Existe sequência, repetição e coreografia. Só que, sem o chamado ''feeling'', não é nada. O movimento está nos pés. Os braços seguem o instinto. Mas, o sentimento está na boca do estômago. É ali que nasce a força, a pegada, a raça.

Os malabaristas do asfalto se quebram em pedaços. Colocam mãos no lugar dos pés. Invertem a lógica do joelho. Brincam com a gravidade. Brincam, mas não desdenham dela. No hip-hop, o salto é para baixo. O corpo busca o chão.

Por mais contraditório que pareça, a música nessa dança é tudo. E é nada. A mente tem que estar na melodia. O coração tem que se sincronizar com a batida. Só que, se não há música, ''não dá nada''. A batida é da boca. A melodia é a história do gueto, sentida nas imitações dos passos e na expressão fechada.

Seja nas calçadas de um shopping, no festival internacional de dança ou na balada ''black'', b-boy e b-girl são todos ''mano''. A batalha, no nome, é uma aula. O vencedor é o professor do dia. A sequência premiada é a lição.

A foto não capta o começo e o final. Mas, nas fotos de Diego Singh, o movimento não parou. Os músculos espasmam. O corpo cai. Sobe. O pé ginga. Quase dá para ouvir a música. É só prestar atenção...

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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/06/15/os-pes-podem-tudo/</link>
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            <pubDate>Tue, 09 Jun 2009 09:52:23 -0300</pubDate>
            <description>Sim, 18 pessoas – entre repórteres, diagramadores, fotógrafos e editores – foram limados da sucursal Curitiba da Folha de Londrina. Assim. De um dia para o outro. Sem maiores explicações. Culpa da crise.

O clima foi ontem – e provavelmente será hoje – de velório. Muitas despedidas e lágrimas. Uma vez, duas vezes e talvez uma terceira vez. Despedida das pessoas maravilhosas. Despedida de um sonho que desceu pelo ralo.

Hoje, só o que podemos esperar é bola para frente. Seja para quem foi ou para quem ficou. Nós, autointitulados náufragos, levaremos o barco. Manco. Muitos remos faltantes. Não temo por quem foi. Muito em breve estarão melhores do que nós. Mas, agora, a vida é simplesmente uma merda.

Não queria fazer um post poético. Nem melancólico (impossível). Só queria registrar. Acabar com especulações (se é que ainda existe alguma). Foram 18, ficaram 16.
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/06/09/post_9/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Onaluf, o puxa-saco</title>
            <pubDate>Thu, 04 Jun 2009 11:46:27 -0300</pubDate>
            <description>Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Não é baseada em fatos reais. Não é inspirada em nenhuma pessoa real. Ela se passa em uma cidade imaginária, lá no Oriente Médio, chamada Abitiruc. Ela não é grande nem pequena. Nem é capital do estado. 

Abitiruc tem um prefeito. E como todo máximo de um executivo local, o prefeito Oteb participa de eventos para assinar documentos e inaugurar obras. Ele também costuma fazer um pequeno discurso (quer dizer, o tamanho do discurso é sempre proporcional ao tamanho da plateia). Mas essa história não é sobre o Oteb. 

A história é de Onaluf. Ele é um cara simples. Mora na periferia da cidade, em uma casinha humilde com sua esposa e seus dois filhos. Logo no começo da gestão do prefeito, Onaluf, que estava desempregado, soube que o gabinete faria uma seleção para um emprego. 

Depois de uma fila de 40 minutos, chegou a sua vez. O entrevistador apenas olhou-o de cima-embaixo, perguntou o nome e pediu para ele bater palmas. Meio desconfiado, ele bateu. Descobriu, no dia seguinte, que tinha conseguido o emprego. 

Na primeira reunião com seu superior, as instruções do cargo foram claras: participar de todos os eventos oficiais com o prefeito. Como quem não quer nada, se misturar aos populares (isso incluía puxar conversa fazendo parecer ser um deles e, de preferência, falar bem de Oteb). E, o mais importante: prestar atenção minuciosa no discurso do político e bater palmas fortes a cada quatro ou cinco frases. Ou toda vez que ele citasse uma obra da prefeitura. Ou a cada menção das palavras "povo", "população", "cidadãos", "moradores", "usuários do sistema de ...", entre outras. 

E desde então é assim. Onaluf ganha o salário mínimo com benefícios. Trabalha de três a quatro vezes por semana. E pode ser encontrado na plateia de qualquer evento oficial de Oteb. Ou de Oãiuqer. Ou de Alul. Mas, pelo menos, Onaluf ganha para isso. Porque não é difícil acharmos muitos Onalufs por aí, fazendo o mesmo teatrinho de graça.</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/06/04/onaluf-o-puxa-saco/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>Autista</title>
            <pubDate>Tue, 02 Jun 2009 10:22:47 -0300</pubDate>
            <description>Não gosto de histórias de terror. Mas, assim como relatado em um post recente, tenho uma relação estranha com esses causos: a curiosidade mórbida. Primeiro eu evito saber. Sempre fiquei longe das rodinhas. Não começo a assistir o filme. Mudo de canal até na propaganda dos programas do tipo “fantasmas” do Discovery Channel.

Mas, uma vez que estabeleci o contato com qualquer forma de conto de terror, a curiosidade é sempre muito grande. Se assisto o trailer, quero saber o final. Se ouço o começo da história, não consigo me desligar. O problema é que eu sou altamente sugestionável por esse tipo de coisa. Geralmente tenho pesadelo depois. No mínimo, fico com a história na cabeça por muito tempo.

Como no domingo, voltando de viagem de São Paulo. Depois que anoiteceu e a estrada ficou escura, em pouco tempo puxei da memória uma história de terror que sempre me dá arrepio. Ei-lá:

O motorista vinha pela estrada, à noite, sozinho. Avista uma pessoa, aparentemente ferida, na beira da estrada, pedindo para o carro parar. Era um homem, jovem. O motorista para. O jovem implora que ele ajude sua esposa. Após uma derrapagem, o carro desceu a ribanceira e a moça, grávida, está presa nas ferragens. Comovido, o motorista decide ajudar.

Desce o barranco e encontra o carro, bastante danificado. Logo percebe a jovem, com gravidez avançada, muito ferida. Ela está em estado de semiconsciência. O senhor se aproxima e começa a puxar a moça, preocupado com riscos de explosões pelo cheiro da gasolina que vazava.

Em meio ao gesto, ele percebe que há uma outra pessoa no carro. Quando olha bem, é o jovem que parou seu carro na beira da estrada. Está morto.

Enfim, pensando ela aqui, na mesa do meu trabalho, com a luz do dia, não sinto quase nada. (Quase... porque sinto, sim, um friozinho na barriga). Mas, na estrada, de noite... vejo a cena claramente e rezo baixinho para que nenhum homem ferido e maltrapilho apareça no acostamento. Hehe

Ps. O título do post é uma combinação da minha mente fértil e meio abobada por se fixar nessas coisas com a historinha em questão. (Autista = motorista em italiano... engraçado).

Ah, também morro de medo de ETs. Qualquer dia falo mais sobre isso.
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/06/02/autista/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>Eu não uso óculos</title>
            <pubDate>Thu, 21 May 2009 10:42:59 -0300</pubDate>
            <description>Eu admiro as pessoas que têm uma visão diferente sobre o mundo. Invejo quem consegue enxergar poesia em tudo, quem passa o superficial e forma opiniões contundentes sobre os fatos, quem vê e faz ironia com as histórias – sem se tornar amargo por isso.

Digo isso porque às vezes acho que não reflito muito sobre as coisas ao meu redor. E isso me faz ter um olhar muito comum, simplório de tudo. Tenho conhecido mais pessoas com esse olhar “B”. E sinto: não sei muito como conversar com elas. Pior, me sinto até meio burra perto delas.

O cara que enxerga poesia em tudo é um sonhador. Parece que ele vive num mundo paralelo em que tudo é muito mais interessante do que para mim parece ser. Tudo e todas as pessoas têm histórias fantásticas.

Às vezes acho difícil procurar o que está por trás dos fatos. Tenho certeza que se eu passasse mais tento “praticando esse exercício” me tornaria uma jornalista, escritora e mesmo pessoa mais relevante.

Sobre as pessoas que fazem humor de tudo, elas são realmente divertidas de estar perto. O mundo é uma grande fonte de piadas e, usando ironia e sarcasmo, algumas sabem dar, muito bem, seu recado de indignação.

Só que ultimamente, só o que eu queria era poder me revoltar melhor. Porque a revolta aparece, mas eu não tenho sabido muito o que fazer com ela... Não que eu ache que o ser humano (e, particularmente, eu) tenha muita capacidade de mudar seu comportamento ou personalidade. Mas, com muito esforço, é possível melhorar um pouco, ou não?
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/05/21/eu-nao-uso-oculos/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/quem+perguntou" rel="tag">quem perguntou</a> </category>
            <title>Uma safra ruim... assim eu espero</title>
            <pubDate>Tue, 05 May 2009 11:51:31 -0300</pubDate>
            <description>Eu já fui a garota dos seriados. Não perdia um, por pior ou mais idiota que parecesse. Domingo era o melhor dia televisivo da semana porque reprisava todos, oportunidade de rever os que eu tinha gostado ou recuperar aqueles que, contra minha vontade, tinha perdido durante a semana.

Sempre fui mais da Sony do que da Warner. Mas, assistia um ou outro dessa também. Ocasionalmente, em horários alternativos, pegava algum da Fox, Axn, Universal, Gnt, Multishow, People and Arts.

Lembro da época que 80% das séries eram comédia. Era assim: todos os dias, no horário nobre, tinha quatro séries de comédia, de 30 minutos, e uma drama ou não tão comédia, de uma hora. Um dia da semana era exceção, já foi quarta-feira, outra época era segunda. Depois veio a fase dos realitys. Dei chances para praticamente todos. Assisti ao menos uma temporada de Extreme Makeover (de pessoas, não de casas), The Swan, Temptation Island, The Bachelor, America’s Next Top Model, American Idol, Top Chef, Project Runway... Abandonei a maioria.

Sou do tempo em que a grade de programação tinha: Friends (beste ever!!!!), Seinfeld (inéditos), That 70’s Show, Third Rock from the Sun, What about Joan, Sex and the City, Spin City, Newsradio, According to Jim, Everybody loves Raymond, King of Queens, Ally Macbeal, Frasier, Malcon in the Middle, Will and Grace, etc, etc, etc… Isso só para mencionar as comédias.

Descobri que estou muito triste com a programação dos meus canais, antes, favoritos. Não posso dizer que exista uma única série atual na qual eu esteja viciada, que não perca um capítulo e saiba toda a história de traz para frente. As séries atuais que já gostei muito meio que perderam o encanto. Não agüento ver reprise alguma, coisa que já fui de ver e rever quantas vezes estivesse disponível na telinha.

Me pergunto: eu que amadureci, mudei de gosto ou perdi a paciência? Ou realmente estamos em uma safra muito ruim de séries e posso ter esperança de que tempos melhores virão?

Ps. Não deixei de assistir séries. Ainda acompanho (só que bem mal e porcamente): Grey’s Anatomy, Desperate Housewives, Ugly Betty, Samantha Who, Two and a Half Men, Big Bang Theory, The Mentalist, Lost, Heroes, Gossip Girl… 
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/05/05/uma-safra-ruim-assim-eu-espero/</link>
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            <category><a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>De curioso morreu o gato</title>
            <pubDate>Thu, 30 Apr 2009 10:54:22 -0300</pubDate>
            <description>Eu sofro de um mal chamado “curiosidade mórbida”. Mas, para mim, ela não diz respeito a querer saber mais detalhes sobre coisas macabras, escatológicas ou angustiantes. Eu classifico a minha “curiosidade mórbida” como uma vontade louca de saber coisas que eu sei que depois não trarão nada de bom e, ainda por cima, têm um grande potencial de me fazerem mal. Não sei se é assim para todo mundo.

Gosto de perguntar sobre o passado de alguém para depois sentir ciúmes de fulana ou ciclana. Pergunto opiniões, apenas para depois amargar a crítica não esperada. Fuço coisas só para me arrepender de ter descoberto algo sobre alguém que não devia.

Como antídoto para minha curiosidade mórbida eu tenho duas características que me ajudam muito. A primeira é que eu tenho a memória muito curta. Graças a Deus (nesse caso), eu esqueço as coisas rapidinho. Quando algum fato me remete àquela informação desagradável que descobri, me dá um “clique”: nossa, verdade, eu já sabia disso. E a frustração retorna.

A outra característica é que, felizmente, eu não deixo esse tipo de coisa abalar as coisas. Posso estar me remoendo por dentro, mas coloco esses sentimentos de lado e sigo a vida. 

Enfim, não sei dizer que tipo de benefício essa desgraçada já me trouxe. Acho que nenhum mesmo. Mas, ela sempre volta firme e forte. Se eu fosse um pouco mais racional, nem infligiria esse tipo de maltrato a mim mesma. Mas, às vezes, raciocinar não é o meu forte...</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/04/30/de-curioso-morreu-o-gato/</link>
        </item>

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            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Cibermim </title>
            <pubDate>Thu, 23 Apr 2009 09:33:10 -0300</pubDate>
            <description>Considero-me uma pessoa até que reservada sobre a vida pessoal. "Até", porque não sou de esconder muita coisa, mas também não sei se podem me chamar de livro aberto. Também não me considero uma pessoa antenada em tendências modernas. Pelo contrário, geralmente demoro a aderir àquilo que muita gente já entrou faz tempo. 

Mas, ainda assim, hoje me vejo completamente exposta no mundo virtual. Tenho orkut, facebook, blog, twitter, além de três e-mails. Só não entrei no tal do Second Life porque meu computador, meio velhinho, não conseguiu rodar o programa. Se não, alguém já veria uma marcelinha virtual tentando fazer amigos de todo o mundo. 

Acho que perco uma hora por dia (no mínimo) só de entrar em todos os "espaços" virtuais em que me meti. Além de acompanhar o que as outras pessoas andam fazendo. Ler blogs, ver últimas atualizações no orkut, mensagens no twitter. Porque, afinal de contas, quem está ali é para ser visto. E ver. 

Para mim, a melhor parte é ver. Nessas horas dá quase para ser aquela mosca na parede que só observa sem ser observada. Na internet, dá para xeretar a vida de todo mundo (que permite, claro) sem que a pessoa sequer imagine. É lógico que aquilo não passa de uma faceta da pessoa, mas não deixa de ser interessante de ver. 

Quanto a minha própria exposição, bom tento controlar ao máximo. Gosto de mostrar aquilo que acredito que os amigos gostariam de ver. E aproveito para divulgar meu trabalho e minha arte, a maior vantagem de ter uma grande rede de relacionamentos virtuais. Sempre me questiono qual seria o interesse daquilo que coloco no ar para as pessoas em geral. Afinal, quem sou eu para ter minhas opiniões seguidas e lidas por dezenas de pessoas? 

Mas, essa é a beleza da internet e suas comunidades virtuais. A horizontalidade. Somos todos iguais. Não há hierarquia. Não há cargos. Os espaços são os mesmos para todos. Só depende da vontade de querer ocupá-los.</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/04/23/cibermim/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>A revolta das Amélias</title>
            <pubDate>Wed, 15 Apr 2009 09:14:46 -0300</pubDate>
            <description>Acho que quase nenhuma mulher da minha geração foi criada para ser Amélia. Devem haver exceções, mas eu não conheço nenhuma. Nem mesmo uma amiga sequer diz que foi educada para servir o marido, criar os filhos e, ainda por cima, se satisfazer com "apenas" essas tarefas. 

Até aí, nada novo. Acho que uma geração um pouco acima da minha já viveu essa realidade. Mulher que não frequenta faculdade, seja pelo motivo que for, trabalha. Mesmo aquelas que abandonam o mundo laboral após o nascimento dos filhos, dão um jeito de voltar logo que podem. E mesmo nessa fase, põem o marido para executar tarefas domésticas. Nem que seja colocar a mesa antes do jantar. 

Mas o que tenho reparado mais ultimamente, na fase das amigas decidirem mudar o estado civil no cartório, é que, além de não serem Amélias, elas não conhecem nada do que envolve cuidar de uma casa. Nada mesmo. Dizem não saber cozinhar e nem mesmo como se lava roupa. 

Que esses não sejam aprendizados voluntários das moçoilas, dá para entender. Quem gostava de perder tempo nas poucas horas vagas entre escola, balé, curso de inglês, voleibol, shopping e televisão, para descobrir as artes domésticas? 

Mas, o que me intriga é que, aparentemente, as mães prendadas também não fizeram muita questão de transmitir todo o seu conhecimento para as descendentes. Nunca fomos (aqui me incluo) incentivadas, nem cobradas a saber isso. 

Isso me fez pensar: será que nossas mães planejaram essa revolta silenciosa das Amélias, garantindo que as gerações futuras de moças nem mesmo conhecessem esse lado, que um dia já foi obrigação, e até dote, feminina? Será que foi tudo proposital? 

Se sim, ou não, quero parabenizá-las. Primeiro por ser a primeira revolução ideológica que realmente deu certo. Segundo por ter acontecido em um prazo até que pequeno. Terceiro porque sou fruto dessa revolução. Então: parabéns e obrigada!
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/04/15/a-revolta-das-amelias/</link>
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        <item>
            <category><a href="/posts/tag/myself" rel="tag">myself</a> </category>
            <title>isto não é um post</title>
            <pubDate>Thu, 02 Apr 2009 11:13:35 -0300</pubDate>
            <description>ainda de férias de postar)

eu:

&lt;img src="http://static.tipos.com.br/media/16434/20090402-eu.jpg" width="451" height="447" alt="" title="" /&gt;


aqui:

&lt;a href="http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html"&gt;politicômetro&lt;/a&gt;</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/04/02/isto-nao-e-um-post/</link>
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            <title>Pigrizia</title>
            <pubDate>Sat, 21 Mar 2009 15:37:44 -0300</pubDate>
            <description>Eu comecei a escrever um post sobre preguiça. A primeira frase era “a preguiça é fofa”. Minha ideia era fazer um jogral com o sentimento (sentimento?) preguiça e o bicho preguiça. Fui estruturando meu texto para que o leitor se confundisse quando eu falasse de uma ou do outro. Mas, ali pela quinta linha, fechando o primeiro parágrafo, parei. É que bateu uma preguiça danada. Então percebi que, melhor que um texto sobre a preguiça, era um não-texto porque estou com preguiça.

Ou é cansaço mesmo...

Acho que não sei mais diferenciar esses dois. 



Ps. tô com preguiça de blogar ultimamente... Leitores (poucos, mas fiéis), me desculpem, mas talvez seja a hora de férias tipicianas... não decidi ainda. Preguiçaaaaaa...</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/03/21/pigrizia/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>Ladra</title>
            <pubDate>Mon, 16 Mar 2009 09:38:18 -0300</pubDate>
            <description>

Eu tenho um problema grave que nunca admiti aqui no tipos. Senhoras e senhores, meu nome é Marcela e eu sou cleptomaníaca. Meu vício não é roubar roupas. Nem jóias. Nem surrupiar objetos inúteis das casas das pessoas. Nunca peguei um centavo de alguém sem ter avisado antes ou depois. Confesso, furtei um ping-pong de uma Lojas Americanas quando tinha uns 12 anos. E fiquei com um peso na consciência danado depois disso.

Também não sei se já admiti aqui, mas não sou poetisa. Posso até escrever uma coisa bonita aqui e ali, mas não nasci com o dom de encantar as pessoas com palavras emocionais.

Por isso, encontro nas letras de músicas aquilo que tinha vontade de ter escrito do próprio punho. Versos que traduzem exatamente o que eu sinto. Sei que a maioria dos sentimentos são universais, mas às vezes me surpreendo ao ouvir uma canção (ou um pedaço dela) sobre uma coisa muito específica que eu pensava que só passava aqui dentro.

Então eu roubo. Roubo as letras de músicas que soam como uma autobiografia para mim. Roubo e dou para alguém se aquelas palavras dizem respeito a ele também. Ou roubo e guardo só para mim. Repetindo e cantando junto 1 milhão de vezes, como se aquele vocabulário me ajudasse a entender melhor a mim mesma. E às vezes ajuda mesmo. 

Não são músicas geniais. Não são poemas épicos ou merecedores de prêmios de literatura. São versos muito simples. Rimas bobas até. Mas, para mim, valiosas como um tesouro. Que eu roubei. E é só meu.
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/03/16/ladra/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Rindo para não chorar </title>
            <pubDate>Thu, 12 Mar 2009 10:11:14 -0300</pubDate>
            <description>A ironia é uma arte. Precisa inspiração e audácia. Precisa treino também. Algumas pessoas dominam a técnica da oratória e são experts no timing necessário para fazer a tirada "pegar". 

Essas pessoas, as irônicas, são geniais. Uma conversa com elas é uma diversão, se eu não sou o alvo da vez. Algumas são tão convincentes que é preciso alguns segundos para tentar ler na expressão facial se aquilo realmente foi intencional. 

Humoristas, desses da moda do stand-Up, são bons em ironia. E não medem esforços usando imitações, vozes e histórias elaboradas para que enxerguemos piada no que deveria ser, muitas vezes, trágico. 

Às vezes ela existe sem nenhuma palavra. Quando se conhece o interlocutor, é possível captar a ironia com uma simples levantada de sobrancelha ou virada de olhos. 

Mas, irônicos, mesmo, são aqueles que, na maioria das vezes, não têm a menor intenção de sê-los. Não é hilário quando um político se faz de coitadinho para justificar a incorporação de verba indenizatória no seu salário porque acha que tem todo o direito de gastar o dinheiro do povo sem dar nenhuma explicação? Quer ironia melhor que essa? 

Ou quando ouvimos nosso representante dizendo que precisa de grana para bancar a escola dos filhos, sendo que o mais jovem deles já tem idade para ter completado a quinta faculdade. Por que ninguém riu da piada? 

Os políticos não são os únicos. Advogados, médicos, engenheiros, secretárias e - por que não? - jornalistas são mestres em irônia involuntária. Aqui, leio como ironia qualquer mentirinha deslavada que já sabemos que ninguém está comprando. E mesmo assim, todos insistimos em usá-las... Força do hábito.
 
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/03/12/rindo-para-nao-chorar/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Luz no fim do livro</title>
            <pubDate>Mon, 02 Mar 2009 20:50:16 -0300</pubDate>
            <description>Quando o livro ou filme são bons, quando me envolvo com a história, quando me apaixono pelos personagens, penso que até trocaria de vida com eles se isso significasse viver todas aquelas aventuras fantásticas.

Seja uma história de amor capaz de deixar minha cabeça nas nuvens ou uma epopeia que transforma a vida daqueles seres ao descobrir lugares, coisas e pessoas maravilhosos. Imagino estar naqueles sapatos para sentir todas aquelas emoções e experimentar sensações que parecem indescritíveis, a não ser pelas belas palavras escolhidas por um autor inspirado.

A alegria do final feliz apaga todas as angústias vividas pelos mocinhos quando, na última página ou cena, vejo todos os conflitos resolvidos. Vem aquela inveja saudável de desejar que a vida, por vezes monótona, tivesse um ar de romance literário onde tudo parece mais intenso e bonito.

Queria trocar de lugar com o garoto que descobre ter poderes mágicos. Com a mocinha que encontra o namorado vampiro perfeito. Com a balzaquiana que larga tudo e vai conhecer o mundo. Com a inglesa gorducha que é constantemente salva pelo homens dos seus sonhos.

Mas apenas porque, ao virar a contracapa, já me esqueci de todas as mazelas que essas ''pessoas'' passaram. Perigos de morte, artimanhas de inimigos, depressões, a tristeza de ser abandonada e sentir que nunca mais haverá felicidade. Eles ''viveram'' essas coisas de forma tão intensa, que só assim posso apreciar o alegre desfecho que, felizmente, algumas histórias nos trazem.

Então, que conclusão tiro disso tudo? A vida aqui, de carne e osso, também pode, por vezes, parecer estar afundada em problemas e tristezas infinitas. Mas, aí vale a pena lembrar daqueles contos de fada em que, no final, no final, de uma forma ou outra, a felicidade acontece.</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/03/02/luz-no-fim-do-livro/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/vergonha+vergonha" rel="tag">vergonha vergonha</a> </category>
            <title />
            <pubDate>Thu, 26 Feb 2009 11:58:53 -0300</pubDate>
            <description>Por que tantos homens gostam de se vestir de mulher no Carnaval? Algum desejo reprimido? É a fantasia do vale tudo porque vou fingir que estou bêbado mesmo? Eles realmente estão bêbados? Por quê?

Hits de 2009:
(esse ano não teve nenhum de alto impacto como o Créu ou a Piriguete), mas...

"Xoxó tá ali, Xoxó tá lá
Xoxó tá aqui
Xoxó tá em todo lugar
Xoxó tá sacundindo de novo
Xoxó tá alegrando esse povo
Xoxó tá transbordando de emoção
Xoxó tá balançando no meio da multidão"

"Quem bebe vive menos...
Estressado, menos magoado, menos deprimido.
Fica mais contente porque tem muitos amigos
e não tá nem ligando pro que o povo vai falar"

"Alô chego já
Tô no bar
Tô aqui batendo um papo, tomando uma gelada.
Alô chego já
Tô no bar
Pode ir fazendo a cama, pra quem te ama"

(sim, mais uma vez eu preciso confessar... até cantei junto. E não, eu nem estava bêbada)
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/02/26/post_8/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>Síndrome da Mônica</title>
            <pubDate>Thu, 12 Feb 2009 22:04:33 -0200</pubDate>
            <description>Minha criação me impede de ser uma Drama Queen. Minha mãe nos criou (eu e duas irmãs) para sermos fortes. Talvez sejamos até molengonas por dentro, mas o importante é não aparentar a fraqueza. “Machucou, não chora. E, afinal de contas, por que machucou em primeiro lugar, menina? Não sabe andar direito não?”. Era mais ou menos assim.

Então, hoje, somos mulheres que nos fazemos de fortes. Não reclamamos (muito) de dor. Carregamos nossa própria bagagem em viagens. Quase nunca pedimos ajuda. Nem uma para a outra. Pode ser apenas uma carcaça. Mas tentamos, ao máximo, manter as aparências.

Só que, muitas vezes, percebo que ser Drama Queen tem suas vantagens. Elas ganham mais atenção. Mais defesas. Até mais carinho. Coisas que, na maioria das vezes, nem queremos mesmo. Mas, de tempo em tempo, faz falta.

Drama Queens têm seus defeitos mais justificados porque seus “grandes” problemas são de conhecimento de todos. Elas recebem passadas de mão na cabeça por muito pouco. Elas são tidas por guerreiras porque, com tantas dificuldades na vida, conseguem superá-las e ser quem são.

A mulher tipo forte (mesmo que apenas na aparência) faz tudo parecer muito fácil. Sem esforço, sem sacrifício. Ela não fala de suas fraquezas, mas também não se gaba de suas conquistas (esse aqui não são todas... tem muita que se gaba, e muito).

Eu não queria ser uma Drama Queen. Prefiro continuar levando minha bagagem e dizer que aquilo quase não dói, quando pode estar me rasgando por dentro. Só queria, de tempo em tempo, poder jogar tudo para o alto e receber um ombro de apoio. Sem ter que pedir. Sem parecer uma declaração de derrota. E, em seguida, voltar à minha faceta “mulher-maravilha”... pelo menos aquela que eu acredito ter.
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/02/12/sindrome-da-monica/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/mae" rel="tag">mae</a> </category>
            <title>Curto circuito</title>
            <pubDate>Tue, 10 Feb 2009 00:17:55 -0200</pubDate>
            <description>O título nada tem a ver com um problema elétrico que pode causar fogo. Na verdade, pensei nessa analogia para exemplificar um tipo de pessoa. É aquele ser que parece ter um caminho mais curto entre o cérebro e a boca. Existem várias pessoas com essa característica que se manifesta de várias formas diferentes.

Tem o bicho “resposta-rápida”. Tenho inveja desse. Sempre tem uma tirada ou invertida  perfeita na hora certa. Parece que a resposta já estava prontinha no cérebro.

Tem o explosivo. O que as palavras “descem” no momento da fúria. Como se a boca fosse apenas um cano de escape da parte do cérebro onde ficam guardadas as palavras mais sujas e os termos mais pejorativos para quem quer que seja a bola da vez.

Tem o tipo da fofoca. Aquele que se envolve nos papos e quando vê, escapou.

Mas, um tipo desses é, para mim, o mais intrigante. É o bicho “minha mãe”. Sabe aquela fase da adolescência em que toda menina tem vergonha da mãe. Uma das frases mais comuns da relação genitora e filha nessa época é “Mãe! Que mico!”.

Eu, graças a Deus, passei dessa fase. Mas minha mãe não. Ela ainda solta cada besteira. Mico mesmo... Mas, ainda bem que ela se diverte. Nem liga. Fala bobagem e dá risada. Nem se encabula. Eu, agora, rio junto. No cantinho da minha mente ainda penso “ai, mãe”... Mas, pelo menos, vejo que ela está felizona sendo assim.

O título do post veio quando ela falou uma asneira hoje e eu perguntei: Mãe, porque você fala essas coisas? A resposta dela foi simples: porque eu penso e quando vejo já saiu. Simples assim... como se não existisse nenhum mecanismo de refreamento.
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/02/10/curto-circuito/</link>
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        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> <a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>Cansados de reclamar</title>
            <pubDate>Thu, 05 Feb 2009 10:11:08 -0200</pubDate>
            <description>Uma mulher morre após ser jogada para fora de um ônibus superlotado. A imprensa começa a bater na tecla da falta de estrutura no transporte público, poucos ônibus e cheios. Mas alguém especula se a mulher gostava ou não de andar de ônibus. E daí? 

O fato de ela não reclamar do meio de transporte não minimiza em nada o fato de ela ter morrido por causa dele. Eu adoro sorvete, mas espero que ninguém dê declarações de que eu morri feliz porque fui envenenada ao tomar um picolé num dia de calor. 

Ainda que esse fosse o caso, se realmente ela nunca abriu a boca para xingar o motorista que acha que dirige um veículo de transporte de carga, aposto que o sofrimento da família não é menor ao constatar essa informação. Ela morreu atropelada pelas rodas traseiras do veículo. Esmagada sob toneladas de ferro, alumínio e gente. E daí se ela não reclamava do ônibus? 

Além do que, muita gente sofre em silêncio. Quem nasceu para reclamar da vida, xinga até o passarinho que decide cantar na janela da casa antes do horário de despertar. Quem não nasceu, não acredita que falar mal de uma coisa não muda nada, mas, sim, torna o dia do outro um pouco pior ao se ver transformado em muro de lamentações. 

Reclamar de um dia cheio, de uma injustiça no trabalho, da falta de qualidade de vida em nosso país rende conversa. Ajuda a descarregar do corpo um peso que não precisa ser de uma pessoa só. Mostra a insatisfação, a vontade de mudar, de evoluir. Mas, não reclamar não significa o oposto. Não quer dizer que está tudo bem, que as coisas podem continuar como estão. Às vezes só quer dizer que estamos cansados. Até mesmo de reclamar.


****************************************************


Teve um período da minha vida em que eu queria ser bruxa. Foi durante a adolescência. Naquela época, se alguém me dissesse que existia uma escola para aprender magia, eu me inscreveria na hora. 

Esse desejo passou, claro. Junto com a ilusão de que esse tipo de coisa existia e que poderia mudar alguma coisa em minha vida.

Desde então nunca mais pensei sério nesse assunto. Nem mesmo enquanto lia, compulsivamente, todos os Harry Potters. Claro que tinha vontade de ficar invisível ou me teletransportar, mas sempre como um pensamento brincalhão.

Um novo livro me fez voltar para esse mundo sobrenatural de forma mais intensa. Lendo o treinamento da feiticeira Morgana em Brumas de Avalon, me deu uma inveja danada de alguns “poderes” mágicos que poderia aplicar direitinho em minha vida...

Ah, se eu pudesse...
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/02/05/cansados-de-reclamar/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>A cidade sem sambódromo </title>
            <pubDate>Wed, 28 Jan 2009 09:05:23 -0200</pubDate>
            <description>
Curitiba não tem a mínima vocação para festas. Além de não termos inventado nossas próprias celebrações, conseguimos renegar aquelas tão comemoradas em nossos vizinhos. Mesmo São Paulo, terra séria de viciados em trabalho que não para nunca, conseguiu emplacar um carnaval bem sucedido. E aqui nada. 

No Réveillon, vi um levantamento que apenas três restaurantes estariam abertos na cidade. Não acreditei totalmente no número, mas acho que a realidade não estava tão distante disso. Se um turista chegasse à cidade poucos dias antes do Ano Novo e perguntasse a você, "onde é o local da queima de fogos e festa da virada?", o que você responderia? 

O mesmo vale para o Carnaval. O Carnaval curitibano não cresce. Parece, sim, que diminui de tamanho. Lembro de, quando criança, ir a avenida Marechal Deodoro na matinê dos pequenos. Hoje, isso ainda existe? Será que é aqui que está o verdadeiro túmulo do samba? 

Os curitibanos fazem festa. Não nego isso. Mas Curitiba não faz festas para seus curitibanos. Temos as chamadas cena sertaneja, cena rock, cena hip-hop, cena rave. Até uma boa cena samba. Mas garanto que, no Carnaval, grande parte dos sambistas curitibanos vão arrastar suas sandálias em outras praças, que não as da Capital paranaense. 

A verdade é que Curitiba não quer ser reconhecida como uma cidade festeira. Ela prefere ser sóbria, cinza. Festas, só atreladas a eventos culturais que, aí sim, devem ser atração para quem vê de fora. Somos a Capital da música em janeiro, a Capital do teatro em março e quase uma Capital do Natal em dezembro. 

Mas, na hora de parar tudo para uma sonzeira nas ruas e gente sacudindo os braços de um lado para o outro, até a pequena Antonina, tão quieta na maior parte dos dias, dá um baile na cidade sorriso. Sorriso, não risada. 

[&lt;em&gt;folha&lt;/em&gt;]</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/01/28/a-cidade-sem-sambodromo/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> <a href="/posts/tag/myself+and+i" rel="tag">myself and i</a> </category>
            <title>O ladrão faz a ocasião </title>
            <pubDate>Sat, 24 Jan 2009 09:03:13 -0200</pubDate>
            <description> 
Eurico era o que podemos chamar facilmente de um vagabundo. Quarenta anos na cara, nunca se dignava a procurar emprego e quando, por um acaso, alguém lhe oferecia um, ele dava um jeito de escapar. Não que bater perna o dia todo pedindo dinheiro e comida nas casas não fosse cansativo, mas ele não concebia a ideia de ter alguém lhe dando ordens. E ter de obedecê-las. 

Ele sabia que na rua do morro tinha um velhinho que era ''batata''. Dois reais garantidos para a pinga do fim do dia. Se Eurico desse azar da moça que trabalhava na casa atender a porta no lugar do velhinho, ela se fazia de durona, mas, no final, amolecia e também dava os mesmos dois reais. 

Mas, naquele dia, uma oportunidade pareceu irresistível. Estava uma confusão de pessoas para lá e para cá. O velho, aparentemente, não estava. E a dona parecia estressada com outras pessoas que estavam na casa. Ela ia e voltava apressada, enquanto gritava e preparava um prato de comida, sem prestar muita atenção em Eurico. Abriu várias vezes o freezer que ficava fora da casa, visível de onde estava o pedinte. 

Ele esperou pelo prato enquanto formulou seu plano. Terminaria de comer. Devolveria o prato e os talheres e ficaria ali por perto fingindo esperar a digestão. Ouvindo os gritos de dentro da casa, teria a deixa para pular o muro baixo e esperaria mais um pouco. Nos próximos gritos abriria o freezer e pegaria o que encontrasse. 

O plano deu certo. Surpreendeu-se ao encontrar um peru e um lombo congelado e algumas cervejas. Enfiou tudo na sacola que sempre carregava nas costas, esperou a próxima leva de berros e fez o caminho inverso. Foi para casa mais cedo naquele dia. 

Três dias depois voltou à casa do velhinho para pedir outros dois reais. E não se sentia nem um pouco culpado. Em sua cabeça, lembrava, e ria para si, do ditado: ''a ocasião faz o ladrão''. E o rabo de galo daquele dia foi, mais uma vez, garantido.

[&lt;em&gt;folha&lt;/em&gt;]


****************************************************

Karma. Tem uma expressão perfeita: “Karma is a bitch”. Simples e certeira. E deve ser mesmo.

Acho que eu não mereço ter amigos.

Talvez, no fundo, no fundo, eu seja mesmo uma pessoa ruim.

Correndo atrás de pessoas que estão seguindo a filosofia do cavalo, enquanto isso, sou o próprio cavalo para outras.

Acho que não sou bem uma “pessoa de pessoas”. Mas achava que já tinha feito minha paz com isso.

Talvez só venha me enganando mesmo.

Quem sabe eu não tenha nascido mesmo para a solidão. Foi o que a vida me indicou até hoje e é uma condição confortável para mim, não fosse a necessidade que sinto de algumas pessoas.

Mas, teimosa que sou, não estou pronta para desistir. Gostaria de dizer que será a última tentativa, mas acho que já me conheço um pouco.

Então, por enquanto, só abro os braços. E sigo os versos do Zeca: “Deixa a vida me levar”.

 
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/01/24/o-ladrao-faz-a-ocasiao/</link>
        </item>

        <item>
            <category />
            <title>Lista da Bota</title>
            <pubDate>Mon, 19 Jan 2009 10:41:10 -0200</pubDate>
            <description>
Ontem parei para pensar sobre a minha Lista da Bota. É a tal lista das coisas que queremos fazer antes de “bater as botas”. Percebi uma coisa engraçada, minha lista varia muito dependendo do tempo de vida que acredito ter.

Se eu acredito ter a vida inteira pela frente, meus itens são mais calmos. Se diminuo minhas expectativas para seis meses de vida, já incluo algumas loucuras que não faziam parte da minha estratégia a longo prazo, por que será? Mas, quando enumerei itens para fazer se o mundo acabar em dois dias, me surpreendi com meus próprios pensamentos.

Descobri, assim, que sou uma pessoa essencialmente egoísta. Na primeira lista, incluo com prazer ações de ajuda ao próximo. É como se eu tivesse mais paciência e esperança em comprar meu terreninho no céu. A médio prazo, esse tipo de atitude fica para segundo plano. Contemplo mais a companhia das pessoas mais próximas e ainda separo um tempo para aprender mais sobre o mundo.

Na lista de emergência o altruísmo desaparece. Ficam praticamente só diversões, experiências e companhias. Atitudes que, provavelmente, magoariam algumas pessoas.

Agora fica a dúvida. Como viver? Acreditando que tenho uma vida inteira pela frente? Alguns meses? Ou que posso morrer amanhã? As perspectivas são semelhantes, mas não iguais. Qual dessas pessoas sou eu? E como eu viverei mais feliz? 

Infelizmente, não tenho essas respostas...



Parte 2

Nunca fui muito de refletir sobre o amor. Também nunca foi do meu feitio falar sobre ele, escrever ou mesmo ler. Acho que poucas coisas sobre o tema conseguem ter uma delicadeza sem parecer piegas ou clichê. Discutir sobre o amor então, quase sempre me pareceu perda de tempo. Ou você sente, ou não. Não tem debate.

Mas, dias desse descobri um blog que me interessou muito. Três blogueiros discutem o assunto com base em suas experiências. São textos sutis e ao mesmo tempo muito profundos. Do tipo que formam um sorriso no rosto, sem revirar o estômago.

Bom, não nasci para a publicidade, então deixo aqui o link para que vocês vejam com os próprios olhos.

&lt;a href="http://www.voceeumailha.blogspot.com/"&gt;Você é uma ilha&lt;/a&gt;

Como diria Miranda Priestly: That’s all
</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/01/19/lista-da-bota/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/quem+perguntou" rel="tag">quem perguntou</a> </category>
            <title>Cada um com seus "probrema"</title>
            <pubDate>Tue, 13 Jan 2009 11:27:52 -0200</pubDate>
            <description>Todo mundo tem direito a um período de egocentrismo. Se fechar um pouco e achar que você mesmo é a pessoa mais importante do mundo não é a pior coisa do mundo. Mas quanto disso é demais? Quando podemos dizer que isso já passou dos limites? E se, nesta fase, a pessoa passa a pensar que os seus problemas são maiores e mais importantes do que os das outras pessoas? Quem tem obrigação de ficar perto e aguentar?

Parei para pensar nisso com uma história que ouvi. Uma mulher fez inseminação artificial e acabou engravidando de quadrigêmeos. Desde o começo da gravidez ela fez campanha contra a redução embrionária, apoiada por muitas de suas companheiras. Os quatro nasceram prematuros e passaram uma “temporada” na UTI neonatal. Um deles continua até hoje. Já foram seis cirurgias e mais de três meses de “hospedagem”.

A agora mamãe mantém um blog onde atualiza, para uma legião de “fãs”, a saga de seus pequenos. Só que, de um tempo para cá, seu discurso mudou, virou amargo.

Ela passou a reclamar de Deus e do mundo por ter sido abandonada. Diz que está ferrada de grana (o plano de saúde não cobre todas as despesas e a conta no hospital já ultrapassaria os R$ 900 mil). Ela discorre xingamentos e ofensas àqueles que não estão mais ao seu lado no dia-a-dia.

Claro que as pessoas &lt;em&gt;devem&lt;/em&gt; ajudar essa moça. Seus amigos e parentes &lt;em&gt;devem&lt;/em&gt; estar presentes, colaborando com seu tempo e, dentro da possibilidade de cada um, com algum dinheiro também. Mas, será que é obrigação dessas pessoas? Será que elas merecem ser xingadas e ofendidas por terem decidido seguir com suas vidas (e seus próprios problemas) deixando a nova mãe de quadrigêmeos “na mão” por um período.

Agora ela começou uma campanha de doação para ela mesma. Em seu blog está disponível a conta bancária e um site onde é possível fazer uma contribuição em dinheiro. É a segunda campanha em prol desta mãe. A primeira, organizada por amigos, foi de fraldas.

Essa poderia ser uma história comovente. Quem sou para questionar se uma pessoa (que teve condições financeiras de fazer uma inseminação artificial em primeiro lugar) merece ou não receber dinheiro de estranhos. A minha indignação está na postura dessa mulher. Afinal de contas, eu sou da máxima que: amigos, amigos, cada um com seus problemas. Apoio, sim. Obrigação, não.


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Pílulas de mim


Eu já fui "Anzol". Foi quando eu fazia capoeira. Um apelido que ganhei por que os malditos dedos mindinhos tortos e quebrados que insistiam em ficar levantados em formato de gancho. O apelido pegou, na época. Me chamavam de Anzol e eu olhava. Há alguns anos isso se perdeu. A não ser em um e-mail, mazianzol, que continua até hoje para algum curioso perguntar e eu ter que contar a história.

 

Hoje não posso mais ser anzol. Primeiro porque tem um Anzol no Vaca e ele chegou primeiro. Segundo porque surgiu um novo anzol. No exato momento em que apareceu esse anzol, eu deixei de ser um.

 

 


Minimalista:

 

Peixe-anzol-linha</description>
            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/01/13/cada-um-com-seus-probrema/</link>
        </item>

        <item>
            <category><a href="/posts/tag/folha+de+londrina" rel="tag">folha de londrina</a> </category>
            <title>Não sou sua parente</title>
            <pubDate>Wed, 07 Jan 2009 10:07:31 -0200</pubDate>
            <description>Lá vem eles. Nem acredito que terei de aturá-los por mais um ano. A cada término, eu tenho esperanças de que estaria tudo acabado. Mas, não está. Já em outubro ouço murmúrios de que eles estarão de volta. Em novembro tenho a confirmação. E janeiro chega a hora. 

Não sou um exemplo de bom gosto. Mas nem por isso me rendi a essa baboseira. A cada ano me convenço de que o negócio não presta mesmo. E toda vez parece que, finalmente, as pessoas também vão se convencer. No começo, muitos dizem que não irão dar bola. O que mais ouço é: esse ano está o pior de todos. 

Mas passa algumas semanas e fica todo mundo vidrado. Também, a pressão é fortíssima. Eles acabam aparecendo em todos os cantos. Em todas as conversas. Ou você conhece, ou está "out". 

Confesso que até eu acabo me envolvendo. Me entregar, jamais. Mas, me envolver é outro papo. Sempre descubro uma coisa ou outra sobre eles (geralmente coisas ruins, que é o que mais me atrai). E acabo entrando em discussões sobre o assunto. Entro para falar mal. Mas falo. 

São três meses que torço para passar rápido. O ápice sempre acontece por volta do Carnaval, quando minha irritação atinge seu estágio máximo. Coitados dos meus amigos, sei que não é culpa deles. Mas a raiva é dirigida a eles. Por me fazerem conviver com esse "troço" que eu queria tanto me ver longe. 

Mas, infelizmente, janeiro chegou. E eles vieram. Meus invasores indesejados pelos próximos três meses. O pior é, dentre os vários elogios não merecidos que ouço eles receberem, o nome deles. Um nome que me dá arrepio. Nem em um milhão de anos considero-os meus parentes. Muito menos meus irmãos. Quanto mais meus grandes irmãos. Argh!
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            <link>http://marcela.tipos.com.br/posts/2009/01/07/nao-sou-sua-parente/</link>
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